Jeff Bezos, fundador da Amazon, afirmou que levar centros de dados para o espaço é um objetivo muito realista, mas admitiu que o processo poderá demorar mais tempo do que muitos antecipam, numa altura em que cresce o entusiasmo em torno do setor antes da oferta pública inicial da SpaceX.
"Alguns dos prazos que ouvimos são muito curtos", disse Bezos à CNBC, numa entrevista concedida a Andrew Ross Sorkin, na quarta-feira. "As pessoas falam em dois ou três anos. Isso é provavelmente um pouco ambicioso."
Bezos, que fundou também a empresa espacial Blue Origin, identificou a energia como uma das principais barreiras à entrada neste segmento. Acrescentou que os custos dos chips têm de descer para libertar mais espaço nos orçamentos dos centros de dados. Segundo o empresário, também os custos de lançamento de tecnologia para órbita têm de ficar mais baixos.
As empresas espaciais competem para transformar centros de dados em órbita numa realidade, mas a procura associada à inteligência artificial exige recursos energéticos massivos. Os defensores dos centros de dados orbitais argumentam que estas infraestruturas beneficiam de acesso constante a energia solar e resolvem o problema de encontrar terrenos adequados para construir instalações de grande dimensão.
As empresas já estão a apostar de forma significativa na perspetiva de centros de dados no espaço. Em fevereiro, Elon Musk afirmou que a construção de "centros de dados orbitais" era uma das principais razões para a fusão da SpaceX com a sua start-up de inteligência artificial, a xAI.
Em março, a Blue Origin apresentou à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos um plano para enviar 51 600 satélites de centros de dados para a órbita terrestre baixa, no âmbito de uma iniciativa denominada Project Sunrise.
Estes satélites seriam suportados pela constelação TeraWave, também planeada pela Blue Origin. A empresa solicitou aprovação regulamentar para lançar a TeraWave e indicou que espera começar a colocar a constelação em órbita no quarto trimestre de 2027.
As declarações do empresário surgem antes da apresentação do prospeto da IPO da SpaceX, esperada já esta semana. As ações ligadas ao setor espacial têm valorizado na expectativa de que a operação e os planos do Presidente Donald Trump para o sistema de defesa Golden Dome tragam mais capital para o segmento e originem mais contratos governamentais.
Bezos explicou ainda que a estratégia da Blue Origin passa também por transferir parte da atividade industrial da Terra para a Lua. Isso inclui a construção de células solares a partir de materiais lunares, que podem ser lançadas para o espaço com maior facilidade devido à distribuição de gravidade na Lua.
O empresário adiantou que a empresa está a trabalhar com a NASA e com o governo dos Estados Unidos na construção de uma base permanente na Lua e no reforço das capacidades de defesa norte-americanas, com o objetivo de manter a superioridade no espaço.
"Eu recomendaria a quem acha que isto é tudo ficção científica que seja um pouco prudente no seu juízo, porque é real, está a acontecer", afirmou Bezos. "Provavelmente vai acontecer mais depressa do que a maioria das pessoas pensa."
CNBC indicou que Annie Palmer contribuiu para esta reportagem.

