Josh Brown e Sean Russo, da Ritholtz Wealth Management, destacam a Allstate (ALL) como uma das melhores ações do mercado. Esta seguradora está próxima de máximos históricos, após um longo período de consolidação. Apesar do mercado ser impulsionado pelo boom de investimento em IA, há oportunidades noutras áreas, como o setor segurador.
Fundamentais sólidos da Allstate
A Allstate opera essencialmente como um negócio de coleta de prémios de seguros. Recolhe prémios, paga sinistros e lucra com a diferença. O motor principal de crescimento dos prémios é o seguro de propriedade e responsabilidade (automóvel e habitação), que gerou 14,8 mil milhões de dólares em prémios auferidos no primeiro trimestre de 2026, com a rentabilidade a aumentar de forma significativa. Esta melhoria resultou de perdas por catástrofes inferiores às esperadas e aumentos substanciais de tarifas (7,2% repassados aos proprietários de casas, algo amplamente noticiado). Acresce o crescimento de 10% no rendimento líquido de investimentos face ao ano anterior. A empresa expandiu a sua base de apólices para 212 milhões, o que reforça o volume para além do aumento de preços.
O maior risco em qualquer período reside na exposição a catástrofes, como furacões ou incêndios florestais, que podem anular os ganhos de subscrição. No entanto, a Allstate registou um crescimento constante. A ação atingiu 17 novos máximos históricos este ano, num movimento consistente e não dependente de dias excecionais. Em termos de retorno total, valorizou 28% no último ano e 87% nos últimos três anos (23% anualizado). Além dos investimentos dos prémios de seguros, a companhia aloca capital através de recompras de ações e dividendos. O dividendo oferece um rendimento de 2%, e o programa de recompras é um componente importante do retorno total. No primeiro trimestre de 2026, a Allstate devolveu 881 milhões de dólares aos acionistas via dividendos e recompras, com as ações comuns a diminuir 3% face ao ano anterior.
Análise de Josh Brown e gestão de risco
A Allstate passou grande parte do ano passado sem direção clara, a mover-se entre 190 e 205 dólares, enquanto o mercado avaliava se o negócio havia virado a página. Virou. A ação rompeu esse longo intervalo de consolidação no final do primeiro trimestre de 2026 e avançou para a zona dos 220 dólares, antes de corrigir para assimilar o movimento. Atualmente, estabiliza-se ligeiramente acima da média móvel de 50 dias, numa base sólida para uma possível rutura acima dos 222 dólares e entrada em território de novos máximos absolutos. O RSI em 52 indica espaço para subida sem o excesso de momento que costuma inverter rapidamente. É um momento saudável, com a ação a manter terreno após uma subida forte.
Os intervenientes no mercado querem ver os 220 dólares superados e mantidos com volume, o que abriria o gráfico para uma nova faixa. Para traders, a média móvel de 50 dias em 211 dólares serve como suporte lógico em caso de fraqueza adicional, embora esteja próxima e possa gerar falsos sinais. Por isso, recomenda-se o suporte mais profundo da média móvel de 200 dias em 206 dólares. Um fecho abaixo dos 200 dólares comprometeria o gráfico e faria cair a ação para fora do intervalo inferior.


