Os bancos de investimento J.P. Morgan e Morgan Stanley manifestam uma visão positiva sobre o mercado accionista norte-americano, mesmo perante as tensões geopolíticas no Médio Oriente. As quedas recentes nos índices, provocadas por receios com o conflito envolvendo o Irã e potenciais subidas nos preços do petróleo, são encaradas como uma oportunidade para comprar posições a preços atrativos. Esta perspetiva baseia-se na resiliência dos lucros das empresas do S&P 500, que continuam a mostrar sinais de crescimento sólido.
Riscos geopolíticos e impacto no S&P 500
O J.P. Morgan adotou uma postura taticamente cautelosa face à escalada do conflito no Médio Oriente, que entrou na sua segunda semana sem perspetivas de resolução rápida. Os estrategistas do banco preveem que o S&P 500 possa cair até 10% caso a guerra se prolongue e pressione os preços do petróleo para níveis próximos dos 120 dólares por barril. Esta projeção considera o Estreito de Ormuz como ponto crítico, dada a sua importância para as exportações de petróleo do Golfo Pérsico. No entanto, mesmo com esta cautela, o banco identifica nas fraquezas recentes uma oportunidade estratégica de compra, particularmente em setores cíclicos como o financeiro, industrial e consumo discricionário.
Resiliência dos lucros corporativos segundo o Morgan Stanley
O Morgan Stanley reforça esta visão otimista ao rever em alta as expectativas de lucros para o S&P 500 em 20%, apesar da agitação causada pela guerra. Mike Wilson, diretor de investimentos e estrategista-chefe de ações dos EUA no banco, destaca que os lucros corporativos permanecem intactos e até aceleram, contrariando as preocupações com o petróleo e a procura do consumidor. Historicamente, eventos geopolíticos semelhantes não geraram volatilidade sustentada nas ações; pelo contrário, o S&P 500 tende a subir 2%, 6% e 8% nos 1, 6 e 12 meses seguintes a esses episódios. Os estrategistas mantêm a convicção de que, a menos que os preços do petróleo disparem de forma prolongada e sem precedentes, os fundamentos económicos sólidos suportam uma perspetiva positiva para as ações americanas nos próximos seis a doze meses.
Contexto mais amplo e implicações para investidores
Esta avaliação ocorre num ambiente de maior aversão ao risco, com fundos de hedge a reduzirem exposições em mercados asiáticos e setores sensíveis como aviação e turismo a sofrerem mais pressão. Por outro lado, ações de defesa e empresas petrolíferas beneficiam do contexto, enquanto o dólar se fortalece como ativo refúgio. Para o investidor individual ou institucional, a mensagem dos dois bancos é clara: os lucros das empresas resistem aos choques externos, tornando as correções atuais atrativas para posições de longo prazo. Esta abordagem equilibrada evita o pânico e foca nos indicadores fundamentais, que até agora não mostram sinais de recessão iminente.


