A JPMorgan Chase planeia implementar ainda este ano agentes de inteligência artificial capazes de trabalhar autonomamente durante períodos muito mais longos do que as versões actuais, num novo passo na adopção corporativa desta tecnologia.
Derek Waldron, diretor de analytics da JPMorgan, explicou que os agentes de IA estão a evoluir de ferramentas que executam uma tarefa isolada para trabalhadores digitais capazes de gerir fluxos de trabalho em várias etapas e em diferentes programas de software.
Da execução de minutos para horas
Segundo Waldron, a empresa entrou agora na fase dos agentes autónomos de longa duração. Estes sistemas já não se limitam a funcionar durante dois ou três minutos para cumprir um objectivo ou seguir instruções humanas. Passam a poder operar durante uma ou duas horas.
Waldron afirmou que esta capacidade é um avanço importante, porque aproxima os agentes de IA de funções mais complexas dentro das empresas. Para o responsável, a questão central deixou de ser apenas a inteligência do modelo e passou a ser a duração durante a qual o sistema consegue funcionar de forma eficaz sem intervenção humana.
Capacidade de gerir trabalho mais complexo
O executivo descreveu este conceito como coerência intelectual. Na sua visão, os progressos no raciocínio dos modelos ajudaram a tornar os agentes mais parecidos com um gestor de equipa do que com um trabalhador individual.
Também referiu que os agentes ficaram mais aptos para tarefas mais exigentes graças a avanços recentes, como a capacidade de escrever código, controlar navegadores web e interagir directamente com software instalado no computador.
Waldron disse que estes sistemas ainda não estão prontos para uso corporativo por causa de preocupações de segurança, mas afirmou que a sua chegada não está distante. A expectativa do banco é ter estes agentes em 2026.
Num horizonte mais longo, Waldron acredita que os agentes de IA poderão manter a coerência durante várias horas, depois dias e, mais tarde, semanas.
Impacto já visível no negócio
A JPMorgan, liderada por Jamie Dimon desde 2006, é o maior banco dos Estados Unidos em activos e tem um orçamento anual para tecnologia de cerca de 20 biliões de dólares.
O banco tem observado ganhos de produtividade sobretudo no desenvolvimento de software e em operações de back office, mas Waldron disse que o impacto está a alargar-se a funções que geram receita.
Na banca privada, por exemplo, os sistemas de IA analisam actividade de mercado, posições de clientes e investigação durante a noite, o que ajuda os banqueiros a concentrar-se nas interacções com os clientes.
Segundo Waldron, o banco registou um aumento de 20% nas vendas brutas devido a estas ferramentas e acredita que, no futuro, cada banqueiro poderá aumentar a sua cobertura de clientes em até 50%.
Dimon tem sido claro ao admitir que alguns trabalhadores serão substituídos pela IA, acrescentando que a empresa está a preparar formação e realocação para os colaboradores afectados.
Waldron sublinhou ainda que muitas empresas começaram por ver a IA apenas como uma forma de reduzir custos, mas estão agora a reconhecer o seu potencial para expandir a receita.
Para o responsável, vencer com IA nas empresas não passa por cortar o maior número possível de empregos, mas por criar uma vantagem competitiva sustentável.
Menor dependência de fornecedores externos
Waldron também disse que a forma como o banco avalia a decisão entre desenvolver software internamente ou comprá-lo a fornecedores externos mudou. A JPMorgan olha agora com mais atenção para a possibilidade de construir capacidades dentro de casa, o que pode pressionar alguns fornecedores tradicionais.
Na sua visão, a barreira competitiva em torno de certos tipos de empresas de software diminuiu claramente face ao que era no passado.

