O presidente executivo da Palantir, Alex Karp, afirmou que os clientes empresariais da empresa estão “descontentes” com a forma como os laboratórios de IA de fronteira estão a operar.
Segundo Karp, essa frustração não se limita ao público em geral. “Não é apenas o homem e a mulher da rua que estão descontentes com os laboratórios de fronteira, é em privado, em todas as empresas com que lidamos”, disse à CNBC, numa entrevista realizada na quarta-feira.
O responsável explicou que muitos clientes acreditam que estas empresas não compreendem os seus negócios e que se concentram apenas em “tokenmaxxing”, ou seja, em gastar tokens de IA para aparentar produtividade.
Karp considerou que o aumento dos custos está a gerar alarme em Wall Street e a alimentar preocupações com a eficiência, à medida que as empresas integram mais IA nas suas operações e os custos dos modelos sobem.
“Não é que os grandes modelos de linguagem não sejam cruciais para o mundo”, afirmou. “É que a implementação é onde está o valor, certamente nos próximos sete anos.”
As declarações surgem num momento em que duas das principais empresas de modelos de linguagem, Anthropic e OpenAI, avançam para bolsa. A empresa liderada por Sam Altman, criadora do ChatGPT, disse na segunda-feira que apresentou confidencialmente um pedido de oferta pública inicial, uma semana depois da Anthropic.
Karp disse ainda à CNBC que a maior parte dos projectos públicos da Anthropic “está a correr na Palantir”.
Apesar de discordar frequentemente do presidente executivo Dario Amodei, Karp afirmou que o cofundador é “uma pessoa muito, muito importante” e que está a orientar a “principal empresa de modelos de fronteira”.
Nos últimos anos, Karp tem sido notícia pelas suas posições políticas contundentes e alinhou-se recentemente com a administração do Presidente Donald Trump, depois de ter doado anteriormente a campanhas da antiga vice-presidente Kamala Harris e do Presidente Joe Biden.
Em Outubro, a responsável pela comunicação da Palantir, Lisa Gordon, classificou a viragem política da empresa como “preocupante”.
Trump também elogiou a Palantir no Truth Social, com o símbolo bolsista da empresa, e investiu nas suas acções. A empresa doou para o desfile do ano passado assinalando o 250.º aniversário do Exército dos EUA. A Palantir está também entre os doadores do projecto de salão de baile da Casa Branca de Trump, juntamente com outras gigantes tecnológicas.
Algumas das posições políticas de Karp, incluindo o apoio a Israel, levaram funcionários a sair da Palantir, disse ao canal CNBC em 2024, meses depois de o grupo militante palestiniano Hamas ter morto cerca de 1 200 pessoas.
Na quarta-feira, Karp insistiu que é um “progressista de carteirinha” e que quer que as pessoas pobres tenham uma vida melhor.
Também manifestou frustração com a politização da IA, defendendo que a tecnologia vai influenciar as decisões políticas mais importantes nos EUA.
“Não se pode fazer um debate azul-vermelho”, afirmou. “Isto é uma revolução massiva e só os EUA têm oportunidades, e há perigos nesta revolução.”

