Ken Griffin, fundador da Citadel, esclareceu pela primeira vez, numa carta enviada a clientes na sexta-feira, a aquisição de ativos ao fundo hedge Situational Awareness, gerido por Leopold Aschenbrenner.
Na carta, Griffin indica que a Citadel já desfez mais de 80% do risco agregado da carteira original adquirida. Esse ajustamento foi realizado através de mais de 100 operações em bloco, envolvendo um valor de mercado superior a 4 biliões de dólares.
Griffin detalha que a Citadel iniciou conversações com o Situational Awareness para adquirir parte das posições do fundo em 29 de julho. Um dia depois, o fundo foi obrigado a vender todas as suas posições em ações cotadas, após perdas acentuadas, tendo a Citadel sido posteriormente identificada como compradora dos ativos.
Na mesma carta, Griffin sublinha a dimensão e complexidade da transação. O responsável da Citadel descreve que uma operação desta magnitude só foi possível graças à cooperação estreita das equipas de trading e de prime brokerage dos bancos que trabalham com ambas as entidades. Griffin afirma estar reconhecido pelo esforço concentrado destas equipas na transferência rápida da carteira.
Griffin confirma ainda que o fundo multiestratégia de referência da casa, o Wellington, registou um retorno de 5,94% em julho. Este resultado corresponde ao melhor desempenho mensal do Wellington desde 2022.
O Situational Awareness operava como fundo hedge com posições concentradas na temática da inteligência artificial, assente na convicção do gestor de 25 anos, Leopold Aschenbrenner, de que esta tecnologia iria transformar de forma profunda o mundo e a economia. Em paralelo, o fundo mantinha posições curtas em algumas empresas de software, um segmento onde vários investidores antecipam possíveis disrupções decorrentes do avanço da inteligência artificial.
Contudo, a aposta na inteligência artificial perdeu força em junho e julho, apesar de os índices mais amplos se terem mantido relativamente estáveis. Títulos nos quais o Situational Awareness tinha exposições significativas, como Sandisk e Bloom Energy, recuaram mais de 50%. Em simultâneo, empresas de software como a Adobe recuperaram, o que levou o fundo a acumular perdas tanto nas posições longas como nas curtas.
Esta combinação de perdas desencadeou chamadas de margem e vendas compulsivas no fundo.
Desde que a Citadel avançou para comprar os ativos cotados do Situational Awareness, a aposta em inteligência artificial recuperou. A venda forçada do fundo acabou por marcar o ponto mais baixo da correção iniciada em junho neste segmento.

