Kering e Hermès caem com resultados fracos: impacto da guerra no Irão no sector do luxo

Kering e Hermès caem com resultados fracos: impacto da guerra no Irão no sector do luxo

Kering e Hermès caem com resultados fracos: impacto da guerra no Irão no sector do luxo

As ações da Kering e da Hermès International caíram esta quarta-feira após a publicação de resultados trimestrais abaixo das expectativas dos analistas. Esta desilusão chega num momento em que o sector do luxo enfrenta pressões adicionais derivadas da escalada de tensões geopolíticas no Médio Oriente, designadamente a guerra envolvendo o Irão, que perturba as cadeias de abastecimento e abala a confiança dos consumidores de alto poder de compra.

A Kering, dona de marcas como Gucci, Yves Saint Laurent e Balenciaga, reportou uma contração significativa nas vendas, particularmente na Ásia, onde a China representa uma fatia substancial da receita. Os resultados revelam uma quebra nas vendas orgânicas, atribuída em parte à diminuição da procura por parte dos consumidores chineses, que continuam a restringir gastos discricionários em meio a uma recuperação económica lenta no gigante asiático. Esta tendência não é isolada: a Hermès, conhecida pelas suas malas Birkin e acessórios exclusivos, também registou um abrandamento no crescimento das vendas, com margens pressionadas por custos elevados e uma procura mais fraca em mercados chave.

Contexto da fraqueza no sector do luxo

O sector do luxo tem sido um barómetro da economia global, especialmente da classe média alta chinesa, que impulsiona cerca de 30% a 40% das vendas mundiais destas empresas. Desde o pico pós-pandemia em 2023, as ações de grupos como a LVMH – que serve de referência para o sector – já acumulam perdas superiores a 30%. A LVMH reportou recentemente uma queda de 5% nas vendas orgânicas no terceiro trimestre, o pior registo desde 2020, eliminando biliões em capitalização bolsista. Analistas preveem que rivais como Kering e Hermès sigam esta trajectória, com actualizações de receita esta semana a confirmarem o pessimismo.

A procura chinesa por produtos de luxo, como bolsas Louis Vuitton ou vestidos Dior, enfraqueceu devido a factores internos como o imobiliário em crise e o desemprego jovem elevado, mas o conflito no Irão adiciona uma camada externa de incerteza. A guerra perturba rotas marítimas no Golfo Pérsico, essenciais para o transporte de matérias-primas como pele e metais preciosos usados nestes produtos. Embora os impactos logísticos sejam ainda iniciais, o receio de uma escalada – com potenciais subidas nos preços do petróleo e inflação global – leva investidores a adoptar posições defensivas, penalizando ações já vulneráveis.Razões subjacentes aos resultados fracos

Os resultados débeis da Kering reflectem uma Gucci em dificuldades, com vendas a cair 20% em algumas regiões asiáticas, resultado de uma estratégia de reposicionamento que não capturou a imaginação dos consumidores num mercado saturado. A Hermès, por seu lado, mantém preços premium mas vê a frequência de compras diminuir, com clientes a optarem por bens duráveis em detrimento do supérfluo. A combinação destes elementos com o ruído geopolítico explica as quedas acentuadas nas ações: Kering perdeu cerca de 5% e Hermès 4% na abertura da sessão europeia.

Para os investidores, esta situação sublinha a vulnerabilidade do luxo a choques externos. Marcas como Brunello Cucinelli ou até a Prada já sinalizaram quebras na China, sugerindo que o abrandamento é estrutural. A expectativa é que os próximos trimestres tragam mais pressão, a menos que haja sinais de recuperação na Ásia ou uma desescalada no Irão. Acionistas com exposição a estas empresas devem monitorizar actualizações de rivais e indicadores macroeconómicos chineses para aferir a duração desta fase.

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