A BP registou um forte aumento do lucro no segundo trimestre, numa altura em que as grandes petrolíferas estão a beneficiar da subida dos preços dos combustíveis fósseis em plena guerra entre os Estados Unidos e o Irão.
A petrolífera britânica reportou um lucro subjacente de custo de reposição, utilizado como aproximação ao lucro líquido, de 5,7 biliões de dólares entre abril e junho. Este valor superou confortavelmente as expectativas dos analistas, que apontavam para 5 biliões de dólares.
O lucro líquido da BP tinha sido de 2,35 biliões de dólares no mesmo período do ano passado e de 3,2 biliões de dólares nos primeiros três meses de 2026.
Os resultados são divulgados numa fase em que os preços do petróleo e do gás natural dispararam devido ao conflito alargado no Médio Oriente. Os combates têm provocado fortes perturbações no transporte marítimo através do estratégico Estreito de Ormuz, um estreito ponto de passagem que costuma movimentar cerca de um quinto do petróleo e gás natural mundial.
Na segunda-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente as petrolíferas norte-americanas Exxon Mobil e Chevron por estarem a ganhar "demasiado dinheiro" com a subida dos preços dos combustíveis em plena guerra com o Irão, reiterando o seu apelo a preços mais baixos nos postos de abastecimento.
"Estão a ganhar demasiado dinheiro com base numa escassez", afirmou Trump perante jornalistas na Casa Branca. "Não gosto disso."
Os lucros do segundo trimestre da Exxon mais do que duplicaram para 14,5 biliões de dólares face a igual período do ano anterior, enquanto os resultados da Chevron quase quadruplicaram, para 12 biliões de dólares, comparando com 2,5 biliões de dólares registados no mesmo trimestre do ano passado.
Principais números do segundo trimestre
Dividendos: A BP aumentou o dividendo em 4%, para 8,66 cêntimos por ação ordinária no segundo trimestre.
Fluxos de caixa operacionais: O fluxo de caixa operacional ascendeu a 10,9 biliões de dólares, já inclusa uma variação positiva de capital circulante ajustado de 1 bilião de dólares.
Dívida líquida: A dívida líquida situou-se em 22,25 biliões de dólares no final do segundo trimestre, abaixo dos 25,3 biliões de dólares registados no final de março.
Resposta da BP às críticas e foco operacional
A CEO da BP, Meg O'Neill, afirmou que os resultados do segundo trimestre foram sustentados por um forte desempenho em toda a empresa e respondeu às críticas de Donald Trump às grandes petrolíferas.
"Olhe, compreendo a pressão que o agregado familiar comum sente quando entra na estação de serviço para abastecer e vê os preços. A realidade é que produzimos uma mercadoria global e os preços do produto que vendemos dependem desse preço global da mercadoria", afirmou O'Neill.
"O que a BP está a fazer é garantir que estamos focados nas coisas que podemos fazer para tentar ajudar a resolver a situação. Estamos a trabalhar intensamente na fiabilidade, tanto nos nossos ativos de upstream, onde produzimos esses barris, como nos ativos de refinação, onde os refinamos."
O'Neill adiantou que a empresa fez ajustes na forma como organiza as suas corridas de refinação, para maximizar a disponibilidade dos produtos de que os consumidores mais precisam em cada momento, apontando combustíveis de aviação e gasóleo como exemplos.
Redução de dívida e política de capital
Analistas da Citi salientaram que a forte redução da dívida líquida da BP em termos trimestrais significa que a empresa deixou de ser considerada a mais alavancada entre as grandes petrolíferas internacionais, antecipando novas descidas da dívida na segunda metade do ano.
Segundo estes analistas, "o fim dos programas de recompra de ações na divulgação dos resultados do quarto trimestre foi sem dúvida um contributo chave; a decisão de aumentar os dividendos em 4% é um reconhecimento parcial do reforço da posição financeira".
Desinvestimentos e simplificação do negócio
A BP anunciou que iniciou o processo de colocação no mercado da Archaea Energy para uma eventual venda. A empresa tinha adquirido este negócio norte-americano de biogás por 4,1 biliões de dólares em 2022, numa aposta na expansão das renováveis, uma estratégia que foi abandonada no início de 2025.
A petrolífera tem avançado com um plano de simplificação, reforçando o foco no seu modelo de negócio principal de petróleo e gás e alienando ativos não estratégicos para reduzir a dívida.
A empresa indicou também que concluiu na segunda-feira a venda da refinaria de Gelsenkirchen e de negócios associados ao grupo de investimento Klesch Group, numa operação que se prevê venha a reduzir em cerca de 1 bilião de dólares os custos operacionais subjacentes da BP.
Governança e equipa de gestão
A BP procura igualmente estabilizar a sua equipa de gestão após um período turbulento de mudanças no topo. A empresa cotada em Londres afastou de forma abrupta o presidente do conselho de administração, Albert Manifold, em maio, ao fim de apenas oito meses no cargo.
O conselho de administração invocou "sérias preocupações" relacionadas com padrões de governança, supervisão e conduta, enquanto Manifold contestou estas alegações.
Desempenho em bolsa
As ações da BP negociavam em alta de 0,8% na manhã de terça-feira. O título acumula uma valorização superior a 27% desde o início do ano.

