LVMH regista vendas abaixo das expectativas no primeiro trimestre devido ao conflito no Médio Oriente

LVMH regista vendas abaixo das expectativas no primeiro trimestre devido ao conflito no Médio Oriente

LVMH regista vendas abaixo das expectativas no primeiro trimestre devido ao conflito no Médio Oriente

A LVMH, maior grupo mundial de produtos de luxo e detentor de marcas como Louis Vuitton e Dior, divulgou resultados do primeiro trimestre de 2026 que ficaram aquém das expectativas dos analistas. As vendas atingiram 19,1 mil milhões de euros, o que representa uma descida de 6% em termos reportados face ao período homólogo de 2025, quando o valor foi de 20,3 mil milhões de euros. Em crescimento orgânico, o avanço foi modesto, de apenas 1%, penalizado em cerca de 1 ponto percentual pelo conflito no Médio Oriente, conforme sublinhado pela empresa.

Impacto do conflito no Médio Oriente

O conflito armado na região do Golfo, intensificado em março com ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irão no final de fevereiro, provocou uma contração acentuada na procura por bens de luxo. A diretora financeira da LVMH, Cecile Cabanis, destacou que a procura na região permanece muito baixa, sem sinais de recuperação desde o início da escalada. O Médio Oriente representa cerca de 6% do faturamento do grupo, e o fluxo de clientes nos centros comerciais locais caiu em média 50%, com quebras entre 30% e 70%. Exemplos concretos incluem vendas nos shoppings de Dubai, como o Mall of the Emirates, que registaram descidas até 50% em março face ao ano anterior, afetando não só moda e couro mas também automóveis de luxo.

Este abalo propagou-se para outros mercados. Na Europa, as vendas caíram 3%, em parte devido à redução do número de turistas provenientes da região do Golfo. Apesar disto, nem todos os segmentos sofreram por igual: a divisão de Relógios e Joias cresceu 7%, e a Ásia, impulsionada pela China, manteve alguma resiliência, ajudando a mitigar perdas mais profundas.

Desempenho por segmento e reação dos mercados

O segmento de Moda e Couro, coração do negócio da LVMH e responsável por uma fatia substancial das receitas, recuou 2% em bases orgânicas, diretamente impactado pela retração no Médio Oriente. Esta divisão inclui ícones como Louis Vuitton, cujas vendas globais caíram 9% no trimestre, superando largamente as previsões negativas dos analistas. O efeito cambial negativo, estimado em 7%, agravou os números reportados.

A reação dos investidores foi imediata. As ações da LVMH caíram na segunda-feira, 13 de abril, prolongando uma tendência que fez dos papéis da empresa os piores performers no setor europeu de luxo no início de 2026, com uma desvalorização de 28% no primeiro trimestre — o pior registo histórico desde 1989, superando crises como a financeira de 2008-2009 ou a pandemia de Covid-19. A capitalização bolsista combinada da LVMH e da Kering, dona da Gucci, perdeu mais de 100 mil milhões de euros desde o pico de 2022, num setor avaliado em 400 mil milhões de dólares que já enfrentava uma recuperação lenta na China.

Perspetivas para o setor de luxo

Estes resultados da LVMH, primeira grande revelação trimestral no setor, acendem alertas para pares como Kering e Hermès, cujos números estão para breve. O conflito não afeta apenas a exposição direta ao Golfo, mas sinaliza incertezas mais amplas: pressão sobre o efeito riqueza, receios de desaceleração global e deterioração da confiança dos consumidores de alto poder de compra. Analistas como John Plassard, da Cité Gestion, veem a LVMH agora como um termómetro da economia mundial, mais do que uma mera ação de luxo. A dependência crescente dos EUA e da Ásia pode amortecer choques, mas a resolução do conflito no Médio Oriente será decisiva para uma retoma sustentada.

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