Liquidação violenta atinge os mercados acionistas norte-americanos
Os mercados acionistas enfrentaram uma liquidação de grande dimensão numa quinta-feira marcada pelo receio dos investidores quanto a um abrandamento na expansão da inteligência artificial. Este receio abalou não apenas as empresas diretamente associadas ao setor tecnológico, mas também o mercado em geral. As descidas registadas anularam por completo os ganhos expressivos observados na sessão de quarta-feira posterior às eleições, afundando os principais índices para terrenos de perdas acentuadas.
O índice tecnológico Nasdaq Composite recuou mais de 5%, terminando a sessão formalmente em território de correção, acompanhado pelo índice de pequenas empresas Russell 2000. Por sua vez, o industrial Dow Jones Industrial Average recuou mais de 1.800 pontos, o que representou uma queda superior a 3%. O índice alargado S&P 500 registou também um recuo pronunciado de mais de 4%, refletindo um sentimento de aversão ao risco generalizado entre os intervenientes do mercado.
Grupo das Magníficas 7 lidera as perdas de valor de mercado
O grupo de gigantes tecnológicas conhecido como Magníficas 7 perdeu mais de 1 trilião de dólares em valor de mercado agregado durante uma única sessão. A Nvidia destacou-se pela negativa ao liderar esta desvalorização, sofrendo uma perda superior a 440 biliões de dólares. As ações da empresa tombaram mais de 9%, passando a apresentar um desempenho negativo no acumulado do ano, com uma descida de 2,6% desde o início de 2026.
A amplitude das desvalorizações foi visível em quase todos os segmentos. Todos os 11 setores do S&P 500 fecharam em terreno negativo, encabeçados pela tecnologia da informação, que caiu 7,30% e assinou o seu pior desempenho diário desde 16 de março de 2020. O setor industrial recuou 4,12%, registando a maior queda num só dia desde 4 de abril de 2025. O fundo cotado Technology Select Sector SPDR Fund (XLK) afundou 8,04%, movimentando mais de 33 milhões de títulos, um valor que triplica o volume médio diário de 9,2 milhões de ações registado nos últimos 30 dias.
Estatísticas históricas revelam a dimensão do tombo
Os números da sessão revelam a gravidade da liquidação. Tanto o Nasdaq Composite como o S&P 500 e o Dow Jones assinaram os seus piores desempenhos percentuais diários desde 4 de abril de 2025. O índice de volatilidade CBOE (VIX) subiu 11,57 pontos, alcançando o nível mais elevado desde 31 de março e registando o maior avanço em pontos num único dia também desde abril do ano passado. Na Bolsa de Nova Iorque, as ações em queda superaram as ações em alta numa proporção de quase 6 para 1 (2.344 contra 416), enquanto no Nasdaq essa relação situou-se em quase 5 para 1 (4.166 contra 855).
A degradação técnica das cotadas é igualmente expressiva. No S&P 500, 174 cotadas (34,6% do total) encontram-se 20% ou mais abaixo do seu máximo de 52 semanas, incluindo nomes como SanDisk, Intel, Marvell Technology, Seagate Technology, Coinbase, Lumentum, Oracle, On Semiconductor, Micron Technology, Caterpillar, Robinhood, Alphabet, Nvidia e Lululemon. Além disso, 310 empresas (61,6% do índice) estão pelo menos 10% abaixo do ponto mais alto do último ano. No índice Nasdaq-100, 59 cotadas (58,4%) recuaram mais de 20% face ao seu máximo anual (como a Rocket Lab, CoreWeave, Arm Holdings e SpaceX), enquanto 72 cotadas (71,3%) acumulam descidas superiores a 10% relativamente aos respetivos máximos.


