O fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, revelou que a sua carteira de investimentos registou um prejuízo de quase 30 biliões de dólares no terceiro trimestre. O desempenho negativo foi influenciado de forma determinante pela subida global das taxas de juro, que penalizou fortemente os rendimentos dos seus ativos de rendimento fixo. A entidade responsável por gerir este património de 2,3 triliões de dólares, a Norges Bank Investment Management, informou que o retorno contabilístico no período resultou numa perda líquida de 278 biliões de coroas norueguesas, o equivalente a cerca de 29,7 biliões de dólares.
O terceiro trimestre do ano ficou marcado por uma forte vaga de vendas no mercado global de dívida. As rendibilidades das obrigações governamentais subiram de forma acentuada à medida que os principais bancos centrais, incluindo a Reserva Federal dos Estados Unidos, iniciaram ciclos de subida das taxas de juro. Esta dinâmica foi impulsionada pelo aumento das preocupações dos investidores em relação aos níveis de inflação e ao endividamento das finanças públicas. Cerca de 70% da carteira de rendimento fixo do fundo está alocada a títulos de dívida soberana, estando o restante aplicado em dívida de empresas. No total, os investimentos em rendimento fixo geraram um retorno negativo de 3,5%, um resultado que a equipa de gestão considerou o principal fator determinante para a quebra geral do desempenho.
Representando um pouco mais de um quarto da carteira global do fundo, o segmento de rendimento fixo abrange posições em 1664 obrigações distribuídas por 51 países. A liderança executiva da instituição explicou que o desempenho global do fundo ficou próximo da neutralidade, terminando ligeiramente em terreno negativo exatamente porque a subida das taxas de juro enfraqueceu o valor dos ativos de rendimento fixo. Recentemente, a entidade gestora já tinha manifestado a intenção de reduzir a sua exposição a títulos do Tesouro norte-americano, enquadrada num plano mais vasto para diminuir a alocação a dívida emitida por governos.
Ações mantêm-se estáveis no meio de forte volatilidade setorial
Por outro lado, o segmento acionista, que representa 72% dos investimentos totais do fundo soberano, registou um retorno modesto de 0,5% no terceiro trimestre. O fundo detém participações em cerca de 7100 empresas espalhadas por quase todo o mundo, possuindo aproximadamente 1,5% de todas as companhias cotadas a nível global. Esta dimensão torna-o no maior investidor individual do planeta. Nos três meses terminados em setembro, os mercados acionistas enfrentaram períodos de elevada volatilidade. Os principais índices de Wall Street fecharam com evoluções divergentes, onde o S&P 500 avançou 2,03%, o Dow Jones caiu 1,9% e o Nasdaq, focado em tecnologia, registou uma valorização de 2,2%.
Esta média de variação de apenas 0,6% entre os três principais índices norte-americanos sinaliza um abrandamento evidente em comparação com as valorizações de dois dígitos registadas nos trimestres anteriores. O fundo norueguês tem grandes posições nas principais cotadas mundiais, destacando-se participações de 65,4 biliões de dólares na Nvidia, além de investimentos expressivos na Apple, Alphabet e Microsoft. A equipa de gestão sublinhou que, apesar de o retorno acionista ter ficado perto de zero, observaram-se grandes diferenças entre setores económicos. As empresas do setor da energia registaram as maiores subidas, impulsionadas pela valorização dos preços do petróleo, ao passo que os setores mais sensíveis às taxas de juro, como as empresas de serviços públicos e o imobiliário, sofreram desvalorizações significativas.
O fundo conta ainda com investimentos estratégicos em imobiliário e infraestruturas de energia renovável, que obtiveram retornos de 0,4% e 7,5%, respetivamente, no decorrer do trimestre. A liderança do fundo já tinha alertado anteriormente para o facto de que os investidores não deveriam esperar a continuidade dos ganhos excecionais alcançados na primeira metade do ano, altura em que o fundo tinha registado um retorno de 12,95% e lucros recorde a roçar os 185 biliões de dólares. Criado em 1998, o fundo soberano da Noruega tem como missão fundamental gerir e reinvestir as receitas provenientes do setor petrolífero do país para garantir a prosperidade das futuras gerações.


