O Banco Central Europeu decidiu na quinta-feira manter a sua principal taxa de juro inalterada em 2,25%, em linha com as expectativas da maioria dos investidores.
Apesar desta pausa, os mercados já antecipam uma subida de juros em setembro, depois de a presidente do BCE, Christine Lagarde, ter alertado que a renovação das hostilidades no Médio Oriente e a consequente recuperação dos preços do petróleo representam um risco em alta para a trajetória da inflação na zona euro.
O BCE afirmou que está preparado para ajustar todas as suas taxas de juro para garantir que a inflação estabiliza em torno da meta de 2% no médio prazo. A inflação na zona euro abrandou para 2,8% no último mês, face aos 3,2% registados em maio.
Em conferência de imprensa após a decisão, Lagarde indicou que o banco espera que a inflação permaneça "muito acima da meta" até à primeira metade de 2027.
"Uma nova perturbação no fornecimento de energia pode fazer com que os preços da energia subam ainda mais e durante mais tempo do que o esperado", afirmou Lagarde.
"Quanto mais tempo os preços da energia se mantiverem elevados, maior é a probabilidade de impulsionarem uma inflação mais ampla, através de efeitos indiretos e de segunda ordem", acrescentou.
Ed Hutchings, responsável pela área de taxas de mercados desenvolvidos na Aviva Investors, referiu que os traders passaram a esperar uma subida de 0,25 pontos percentuais em setembro.
"As expectativas de inflação permanecem elevadas e, se se mantiverem, poderá ser necessária uma política monetária ainda mais restritiva", considerou Hutchings.
A decisão de manter as taxas ocorre depois de, em junho, o BCE ter anunciado uma subida de um quarto de ponto percentual, a primeira desde 2023, numa resposta às pressões inflacionistas associadas ao choque energético provocado pela guerra no Irão, que começaram a pesar na economia europeia.
"Apesar de ter conseguido manter as taxas hoje, o mercado continua a esperar que o BCE se mantenha numa postura de subida de juros no resto do ano", afirmou Richard Carter, responsável de investigação em rendimento fixo na Quilter Cheviot.
"É claro que o grau de agressividade na subida das taxas de juro depende em grande medida do que está a acontecer fora do continente, o que torna o trabalho do comité de política monetária extremamente desafiante", concluiu.


