A economia dos Estados Unidos não deverá apresentar um grande crescimento na criação de postos de trabalho durante o mês de outubro. O mercado atual reflete a relutância das entidades patronais em contratar novos trabalhadores, embora também não se verifique um movimento significativo de redução de quadros. Este comportamento ocorre num contexto de encolhimento da força de trabalho e de um desafio crescente relacionado com o desemprego de longa duração.
Previsões apontam para ganhos ligeiros na criação de emprego
As estimativas dos economistas apontam para um aumento modesto de 59 mil empregos não agrícolas, o que representa uma ligeira subida face aos 29 mil postos de trabalho gerados em setembro. Este resultado dá continuidade a um padrão de crescimento fraco na economia norte-americana. Apesar destes números contidos, prevê-se que a taxa de desemprego se mantenha num nível bastante baixo de 4,2%, sendo este o reflexo de um ambiente onde a estagnação da força de trabalho reduz a necessidade de grandes aumentos de emprego para manter o indicador estável.
A evolução demográfica e as dinâmicas sociais têm desempenhado um papel central nesta transformação estrutural. O envelhecimento da população ativa tem impulsionado a transição de muitos trabalhadores para a reforma, enquanto décadas de baixas taxas de natalidade resultaram num menor número de jovens a ingressar no mercado para substituir quem sai. Adicionalmente, a redução substancial dos fluxos migratórios tem limitado a entrada de mão de obra em idade ativa, alterando os parâmetros habituais de avaliação da saúde do mercado de trabalho.
Divergência entre contratações baixas e estabilidade no emprego
O histórico recente confirma esta mudança de padrão, com a média mensal de criação de emprego entre janeiro de 2025 e setembro de 2026 a fixar-se em apenas 35 mil postos de trabalho. Neste período de 21 meses, registou-se apenas um mês em que os ganhos superaram a fasquia dos 200 mil empregos, tendo sido observadas perdas líquidas em sete ocasiões. Contudo, a taxa de desemprego sofreu variações residuais, subindo apenas 0,2 pontos percentuais, mesmo perante este abrandamento visível.
Em sentido inverso, a força de trabalho registou uma contração de 434 mil pessoas no mesmo período, acumulando uma descida de quase um milhão desde setembro de 2025. A taxa de participação no mercado de trabalho caiu para os 61,8%, registando um recuo de 0,8 pontos percentuais. Por outro lado, o volume de despedimentos mantém-se em patamares extraordinariamente baixos, com os pedidos iniciais de subsídio de desemprego a situarem-se nos 189 mil na última semana, aproximando-se dos níveis mais reduzidos registados desde 1969.
Desafios persistem no desemprego de longa duração
Apesar de a retenção de pessoal ser elevada e do número de saídas voluntárias ter atingido os 3,36 milhões num sinal de confiança dos trabalhadores ocupados, a reentrada no mercado revela-se complexa. O total de trabalhadores sem emprego há mais de 25 semanas registou um aumento de 495 mil desde janeiro de 2025, enquanto a duração média do desemprego subiu para 24,8 semanas até ao final de setembro.
Os responsáveis da Reserva Federal continuam a considerar a situação sólida para quem se encontra empregado, mas a escassez de rotação de vagas e a ausência de expansão forte por parte das empresas criam barreiras significativas para quem tenta regressar ao ativo.


