Dados mais fracos em vagas e emprego privado contrastam com alguma resiliência nos serviços, alimentando a perspetiva de cortes de juros em 2026
Os mais recentes indicadores económicos dos Estados Unidos voltaram a apontar para um mercado de trabalho em arrefecimento, ao mesmo tempo que a atividade nos serviços mantém alguma resiliência. Para os investidores, o quadro reforça a narrativa de que a Reserva Federal poderá ter margem para cortar taxas em 2026.
JOLTS: menos ofertas de emprego do que o esperado
Os JOLTS Job Openings de novembro registaram 7,146 milhões de vagas, abaixo das 7,61 milhões esperadas e também inferiores às 7,449 milhões do mês anterior.
Menos ofertas de emprego significam:
empresas a contratar com mais prudência;
menor pressão salarial no futuro;
sinais de abrandamento na procura por trabalho.
Este indicador é seguido de perto pela Reserva Federal porque ajuda a medir se o mercado laboral continua “demasiado apertado” e desta vez, o sinal foi de fraqueza.
ADP: criação de emprego privado desaponta
O ADP Nonfarm Payrolls (privado) de dezembro mostrou apenas +41 mil empregos, abaixo da estimativa de 49 mil.
Um número tão modesto confirma a tendência:
o ritmo de contratação está a perder força.
Serviços dão algum apoio, mas sem reacender inflação
Já o ISM de Serviços Emprego subiu para 52, acima da previsão de 49 e acima do mês anterior (48,9).
Isso sugere que o setor de serviços (o maior da economia americana) continua ativo, mas não em excesso.
Ao mesmo tempo, o ISM Services Prices Paid caiu para 64,3, vindo de 65,4 e abaixo da previsão. Isto significa que os custos no setor continuam elevados, mas estão a aliviar lentamente, o que é positivo para a inflação.
Os dados mostram um mercado de trabalho a arrefecer e uma inflação em desaceleração gradual, com a atividade de serviços ainda resiliente. Este cenário sugere que a Fed poderá ter margem para cortes de juros em 2026, mantendo a prudência e acompanhando de perto os próximos indicadores. Para os mercados, a perspetiva continua a ser de crescimento moderado, preços a estabilizar e possível alívio nas taxas no futuro.

