Mercado de trabalho nos Estados Unidos abranda com criação de apenas 29 mil empregos em setembro

Mercado de trabalho nos Estados Unidos abranda com criação de apenas 29 mil empregos em setembro

Mercado de trabalho nos Estados Unidos abranda com criação de apenas 29 mil empregos em setembro

A economia dos Estados Unidos registou uma criação de emprego significativamente abaixo do esperado no mês de setembro, revelando uma fragilidade inesperada no mercado de trabalho e na atividade económica geral. De acordo com os dados publicados pelo Bureau of Labor Statistics, as folhas de pagamento não agrícolas aumentaram em apenas 29 mil postos de trabalho, após o ajuste sazonal, enquanto a taxa de desemprego subiu para os 4,2%. Estes números contrastam fortemente com as previsões dos analistas, que apontavam para a criação de 84 mil empregos e uma taxa de desemprego de 4,1%.

Para além do fraco desempenho registado em setembro, os dados de meses anteriores sofreram revisões em baixa expressivas. O número de postos de trabalho criados em agosto foi revisto para 133 mil, ao passo que o mês de julho passou de uma estimativa de crescimento para uma perda efetiva de 10 mil empregos. No total, estas revisões estatísticas retiraram 60 mil postos de trabalho ao que tinha sido anteriormente reportado, acentuando a perceção de arrefecimento económico.

Reação dos mercados financeiros e perspetivas para a Reserva Federal

A reação dos investidores não se fez esperar, com os mercados financeiros a interpretarem a fragilidade dos dados como um sinal positivo para a política monetária. A perspetiva de que a Reserva Federal decida manter as taxas de juro inalteradas na sua próxima reunião de outubro saiu reforçada. Os contratos de futuros sobre ações registaram subidas acentuadas, enquanto os rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano recuaram, após terem atingido recentemente máximos não vistos desde o início do século. As probabilidades implícitas no mercado de que a Fed mantenha as taxas estáveis na reunião de 27 e 28 de outubro subiram para 82,8%, segundo as ferramentas de monitorização financeira.

Apesar do abrandamento na criação de emprego, o inquérito às famílias, utilizado para calcular a taxa de desemprego, apresentou um comportamento mais favorável do que o inquérito às empresas. O emprego no setor das famílias aumentou em 406 mil pessoas, enquanto a população ativa cresceu em 485 mil indivíduos. A taxa de participação no mercado de trabalho subiu 0,2 pontos percentuais para 61,8%, o valor mais elevado desde maio. Uma medida alternativa de desemprego, que inclui os trabalhadores desanimados e os que trabalham a tempo parcial por motivos económicos, recuou ligeiramente para 7,6%, o nível mais baixo desde janeiro de 2025.

Pressão inflacionista e evolução dos salários

Os decisores da Reserva Federal continuam a avaliar o estado da economia para determinar os próximos passos na política monetária. Após declarações recentes de vários membros do banco central, as expectativas do mercado apontam agora para que o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) adie qualquer subida de taxas para dezembro, depois de ter aumentado as taxas de juro de referência em um quarto de ponto percentual em setembro. Os responsáveis da Fed continuam a ver a inflação como uma ameaça maior do que o mercado de trabalho, que tinha demonstrado resiliência. A inflação subjacente, a medida preferida do banco central, mantém-se numa taxa anual de 3%, acima da meta de 2%.

No entanto, os salários continuam a dar sinais de desinflação. Os rendimentos médios horários aumentaram apenas 0,1% em setembro, fixando a subida homóloga nos 3%, o valor mais baixo desde maio de 2021. Em termos setoriais, a maior parte dos empregos criados em setembro concentrou-se na saúde, com mais 17 mil trabalhadores, seguida pela construção com 11 mil e pela indústria transformadora com 9 mil. Em sentido inverso, o emprego público recuou em 17 mil postos de trabalho, os serviços de apoio temporário perderam 11 mil e os serviços de informação registaram uma quebra de 10 mil empregos, num contexto de preocupações sobre o impacto da inteligência artificial.

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