Os mercados financeiros no Japao reagiram de uma forma aparentemente contraditoria apos o banco central do pais ter subido as taxas de juro de referencia para o nivel mais elevado dos ultimos 31 anos. Em situacoes normais, o aumento das taxas de juro tende a apoiar a moeda nacional, a elevar o rendimento das obrigacoes do Tesouro e a pressionar o mercado de acoes. No entanto, a divisa japonesa, o rendimento da divida publica e a bolsa de valores registaram precisamente o comportamento oposto.
O iene enfraqueceu para alem da barreira dos 157 por dolar, o rendimento das obrigacoes do Tesouro japones a 10 anos recuou e o indice Nikkei 225 registou uma valorizacao de 1,5%. Esta reacao ocorreu no momento em que o Banco do Japao decidiu elevar a sua taxa de juro de referencia para 1,25%. Este incremento colocou a taxa de juro no valor mais alto desde 1995, tendo ocorrido apenas tres meses apos a subida anterior.
Analistas de mercado apontaram a divisao na votacao do conselho do banco central como a principal razao para esta reacao invulgar, uma vez que sinaliza que a instituicao podera nao adotar uma postura excessivamente agressiva no futuro. A decisao de subida foi tomada com uma votacao de sete votos a favor e dois contra. Os membros Toichiro Asada e Ayano Sato divergiram do veredito, defendendo a manutencao das taxas. Asada destacou que, com a inflacao subjacente abaixo dos 2%, a situacao economica pode nao ser suficientemente forte, enquanto Sato referiu que a evolucao dos precos e da atividade economica nao acelerou de forma substancial.
A reacao dos investidores tambem se deve ao facto de esta subida ter ocorrido sem a apresentacao de um relatorio de previsoes atualizado, o que limitou a capacidade do banco central de reforcar uma mensagem mais rigida atraves de novas estimativas. Adicionalmente, o tom do comunicado oficial foi muito semelhante ao documento publicado em julho, revelando-se menos agressivo do que os mercados financeiros antecipavam. O banco central admitiu ainda que o crescimento economico podera desacelerar devido aos elevados precos do petroleo resultantes do conflito no Medio Oriente.
Apesar da divisao, varios especialistas acreditam que um novo aumento das taxas de juro podera ocorrer em dezembro. Ha quem preveja que as taxas possam subir aproximadamente uma vez a cada tres meses, a medida que a inflacao subjacente se aproxime da meta. Estima-se que a taxa terminal atinja um pico entre 1,75% e 2% em 2027. Contudo, a fraca procura interna e o crescimento dececionante dos salarios reais poderao limitar a margem de manobra para novos agravamentos da politica monetaria nos meses seguintes.


