Mercado obrigacionista pressiona ações antes de resultados da Nvidia

Mercado obrigacionista pressiona ações antes de resultados da Nvidia

Mercado obrigacionista pressiona ações antes de resultados da Nvidia

Leonie Kidd, a escrever de Londres, questiona se os mercados estarão próximos de um ponto de viragem, num dia em que a pressão do mercado obrigacionista começa a refletir-se com mais intensidade na negociação de ações.

Juros em máximos de décadas e impacto nos ativos de risco

A subida das yields das obrigações do Tesouro norte-americano está a ganhar força e a arrastar consigo as principais bolsas globais. A venda de dívida pública intensificou-se, provocando quedas nos mercados acionistas nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Na terça-feira, a yield das Treasuries a 30 anos atingiu 5,19%, o valor mais elevado em quase 19 anos. A yield a 10 anos chegou a 4,687%, nível não observado desde janeiro de 2025.

De acordo com estrategas do HSBC, as Treasuries norte-americanas estão agora firmemente na chamada Danger Zone. Este é o nível das yields a 10 anos que tende a exercer pressão sobre praticamente todas as classes de ativos. Os analistas alertam ainda que uma revisão adicional em alta das expectativas para a taxa terminal da Reserva Federal pode empurrar as yields ainda mais fundo nessa Danger Zone, o que provavelmente levará a uma correção temporária dos ativos de risco.

As yields mais altas têm mantido a pressão sobre as ações. O S&P 500 e o Nasdaq registaram na terça-feira a terceira sessão consecutiva em baixa. Na região Ásia-Pacífico, os índices também negociam no vermelho, com destaque para as quedas no Nikkei 225, do Japão, e no Kospi, da Coreia do Sul. Na Europa, os futuros apontam para uma abertura em terreno negativo.

Geopolítica: aproximação entre Rússia e China

No plano geopolítico, o presidente russo, Vladimir Putin, convidou o presidente chinês, Xi Jinping, para visitar a Rússia no próximo ano. Durante o encontro de dois dias em Pequim, Xi afirmou que as relações com Moscovo se baseiam numa profunda confiança política mútua e numa cooperação estratégica. Putin, por sua vez, classificou os laços entre os dois países como estando em níveis sem precedentes.

EUA: Senado avança resolução sobre ação militar no Irão

Nos Estados Unidos, o Senado avançou com uma resolução destinada a travar a ação militar no Irão, após a mudança surpresa de posição de um senador republicano. No entanto, esta votação preliminar terá ainda de ser confirmada numa votação final no Senado, aprovada na Câmara dos Representantes e escapar a um eventual veto do presidente Donald Trump para poder entrar em vigor.

Tecnologia em destaque, com foco na Nvidia

No plano empresarial, o fluxo de notícias promete ser dominado pelo setor tecnológico. A Nvidia apresenta resultados após o fecho de Wall Street desta quarta-feira, com os investidores atentos sobretudo ao progresso do reforço da infraestrutura ligada à inteligência artificial.

A empresa anunciou ainda planos para abrir um novo centro de investigação em Singapura, a sua segunda presença na região Ásia-Pacífico. A cidade-Estado tem despertado grande interesse, com a OpenAI e a Google também a comprometerem-se a expandir os respetivos polos e operações em inteligência artificial.

Casa Branca: defesa da gestão de património de Trump

Em Washington, o vice-presidente JD Vance defendeu na terça-feira o presidente Donald Trump face a questões sobre a intensa atividade de negociação de ações revelada nas mais recentes declarações financeiras do chefe de Estado. Esses documentos mostram transações que totalizam centenas de milhões de dólares em apenas três meses.

Vance respondeu a um jornalista na sala de imprensa da Casa Branca afirmando que o presidente não está no gabinete oval a operar numa conta tipo Robinhood, a comprar e vender ações diretamente. Considerou essa ideia absurda, sublinhando que Trump tem consultores financeiros independentes que gerem o seu património. Recordou ainda que o presidente é uma pessoa rica e com histórico de sucesso empresarial.

O conjunto destes fatores, desde a pressão crescente das yields à sensibilidade dos ativos de risco, passando pelas tensões geopolíticas e pela concentração de atenção no setor tecnológico, reforça a perceção de que os mercados podem estar numa fase delicada de ajustamento.

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