O MercadoLibre superou as estimativas dos analistas no segundo trimestre, mas as ações recuaram 3% nas negociações após o fecho, à medida que os investidores ponderaram a compressão das margens face ao forte crescimento da receita.
A empresa de comércio eletrónico e fintech da América Latina apresentou um lucro por ação ajustado de 9,19 dólares, acima dos 8,75 dólares previstos, uma diferença de 0,44 dólares. A receita atingiu 10,17 mil milhões de dólares, acima da estimativa de 9,66 mil milhões de dólares, e representou um aumento de 50% em termos homólogos, face a 6,78 mil milhões de dólares no segundo trimestre de 2025.
O resultado operacional caiu 17% em termos homólogos, para 683 milhões de dólares, com a margem operacional a descer 550 pontos base, para 6,7%. A empresa atribuiu esta pressão nas margens a investimentos deliberados na sua proposta de valor, incluindo iniciativas de preços no Brasil e custos mais elevados de aquisição de utilizadores no negócio de acquiring no México.
Num comunicado aos acionistas, a empresa afirmou que entregou mais um trimestre de crescimento excecional no segundo trimestre de 2026, mantendo o forte ritmo observado no início do ano. Acrescentou ainda que a receita líquida e o rendimento financeiro cresceram 50% em termos homólogos, o ritmo mais rápido em quatro anos.
O volume bruto de mercadorias aumentou 44% em termos homólogos, para 21,9 mil milhões de dólares, enquanto o volume total de pagamentos subiu 56%, para 101 mil milhões de dólares. O segmento fintech da empresa alcançou 88 milhões de utilizadores ativos mensais, acima dos 68 milhões do período homólogo.
O Brasil continuou a impulsionar o crescimento, com a receita ajustada ao câmbio a subir 42% em termos homólogos. A empresa referiu ainda que os indicadores de envolvimento melhoraram após a decisão de reduzir o limiar de envio gratuito tomada há um ano, com o número de artigos por comprador a subir 14% em termos homólogos e 19% no Brasil em particular.
A carteira de crédito aumentou 75% em termos homólogos, ultrapassando 16 mil milhões de dólares, embora a NIMAL consolidada tenha comprimido 230 pontos base, para 20,7%, sobretudo devido a uma maior exposição a cartões de crédito com margens mais baixas. A empresa emitiu 2,6 milhões de novos cartões de crédito no trimestre, acima de 1,6 milhão no período homólogo.
O lucro líquido totalizou 466 milhões de dólares, menos 11% em termos homólogos, com uma margem de 4,6%. A empresa gerou um fluxo de caixa livre ajustado de 214 milhões de dólares, após 441 milhões de dólares em despesas de capital e 2,1 mil milhões de dólares investidos na expansão da carteira de crédito.
O MercadoLibre destacou ainda que os utilizadores ecossistémicos, ou seja, os que interagem com o marketplace e com o Mercado Pago, cresceram 37% em termos homólogos e apresentaram níveis de utilização e rentabilidade significativamente superiores aos utilizadores de uma só plataforma.

