O início da semana é marcado por uma tentativa de recuperação nos mercados financeiros, com os contratos de futuros a apontarem para uma abertura positiva em Wall Street, em particular no índice Nasdaq. Esta subida surge após uma semana bastante negativa para as empresas ligadas ao segmento da inteligência artificial, período no qual o índice tecnológico recuou 4,5% face às primeiras fissuras visíveis no entusiasmo recente em torno deste setor. No entanto, o sentimento entre os operadores permanece dividido entre os que encaram esta quebra como uma oportunidade e aqueles que aproveitam os ganhos pontuais para reduzir a exposição aos ativos de tecnologia.
Divergência de perspetivas entre analistas e sinais de volatilidade
As opiniões em Wall Street refletem posições muito contrastantes relativamente ao rumo do mercado. Dan Ives, sócio na Yorkville Ives, sublinhou que esta descida vertiginosa representa uma excelente oportunidade de compra. Em sentido contrário, os analistas da BTIG aconselham os participantes do mercado a utilizarem qualquer recuperação técnica no setor dos semicondutores para diminuir o risco, alertando que os sinais de fraqueza não devem ser ignorados. Este ambiente de apreensão traduziu-se na subida do índice de volatilidade Cboe Volatility Index para os patamares mais elevados desde junho, indicando que o receio de uma correção de maior dimensão continua presente entre os intervenientes.
Desempenho empresarial e reação nas cotadas de computação em nuvem
No universo das empresas focadas em infraestrutura avançada, cotadas como a CoreWeave e a Nebius apontam para aberturas em alta de aproximadamente 3%, um avanço tímido quando comparado com o recuo de 25% sofrido por ambas na semana anterior. Michael Khouw, estratega da OpenInterest.PRO, considera que este descalabro progressivo na CoreWeave coloca o título propício a episódios de maior instabilidade. Em termos fundamentais, o período de divulgação de contas trimestrais ganha tração, com 85% das empresas do S&P 500 que já apresentaram resultados a superarem as previsões dos analistas.
Contexto internacional entre a Ásia e as tensões geopolíticas
No panorama internacional, o crescimento do produto interno bruto da China no terceiro trimestre superou as expectativas, sustentando o otimismo nas praças financeiras asiáticas. Não obstante, as ações da fabricante chinesa de memórias CXMT registaram perdas, mesmo após o regresso aos lucros, devido ao impacto do aumento da oferta e da intensa concorrência no mercado global de chips. No plano geopolítico, o presidente russo Vladimir Putin terá proposto a realização de uma cimeira tripartida com Donald Trump e Xi Jinping, num momento em que os preços do petróleo negoceiam em baixa, pressionados pela perspetiva de alívio nas sanções a Moscovo e após o colapso do cessar-fogo energético e desentendimentos sobre a rede Starlink com a Ucrânia.
Agitação social em França pressiona dívida soberana europeia
Na Europa, os mercados acionistas franceses registam quedas expressivas, arrastados pelos setores bancário, de bens de luxo e hotelaria. A descida surge na sequência de um fim de semana marcado por desacatos graves e destruição em Paris e noutras cidades, decorrentes de manifestações que culminaram em pilhagens e danos em edifícios governamentais. A instabilidade impulsionou os juros da dívida pública francesa para níveis mais altos, apesar das tentativas do presidente Emmanuel Macron para serenar o clima de crispação social e política, levantando a possibilidade de desviar o interesse dos investidores para os títulos do Tesouro norte-americano.


