Mark Zuckerberg afirmou que a Meta pode entrar no mercado de computação em cloud se o investimento em centros de dados acabar por criar capacidade excedente. A ideia, disse, está definitivamente em cima da mesa.
Uma opção se houver excesso de capacidade
Na assembleia geral anual de acionistas, realizada na quarta-feira, Zuckerberg respondeu a uma pergunta sobre uma eventual concorrência com a Amazon e a Microsoft na computação em cloud. Segundo o CEO, a Meta ainda não avançou com esse modelo porque considera que tem utilização para a sua capacidade de computação.
Zuckerberg explicou que, se a empresa chegar ao ponto de ter construído mais do que precisa, essa capacidade poderá ser alugada a terceiros. Referiu também que, quase todas as semanas, surgem empresas externas a pedir à Meta serviços de API ou a perguntar se podem comprar capacidade de computação a um preço superior ao que a própria Meta pagou.
Pressão sobre o investimento em IA
A Meta é a única das quatro grandes hiperscalers nos Estados Unidos que não tem um negócio de infraestrutura e serviços de cloud. Ainda assim, o seu investimento para impulsionar o desenvolvimento de inteligência artificial está ao nível dos rivais.
Em abril, a Meta aumentou a previsão de capex relacionado com IA para 2026 para entre 125 biliões e 145 biliões de dólares, acima da faixa anterior de 115 biliões a 135 biliões de dólares. Apesar de ter apresentado resultados do primeiro trimestre acima das expectativas, as ações da Meta caíram 7%, refletindo a preocupação do mercado com o peso deste investimento.
Zuckerberg quis sublinhar que a empresa pode rentabilizar parte dos seus recursos informáticos no futuro, caso a capacidade se revele excessiva. Disse também que esse cenário dá confiança para continuar a investir na expansão da infraestrutura.
Monetização de assistentes e da Meta AI
O CEO falou ainda dos planos da empresa para assistentes pessoais alimentados por IA. Segundo Zuckerberg, à medida que estes agentes ganharem utilidade, poderá haver oportunidade para cobrar versões premium ou com maior capacidade de computação.
Embora a Meta já ofereça algumas funcionalidades ligadas à IA no WhatsApp para empresas, esses serviços continuam gratuitos. Zuckerberg afirmou que a empresa está a trabalhar na definição de um modelo de monetização de longo prazo.
Separadamente, a Meta anunciou que vai começar a testar subscrições mensais para a aplicação e o site Meta AI. Será a primeira vez que a empresa cobrará pelos seus serviços de IA. Os planos terão um custo de 7,99 dólares ou 19,99 dólares por mês, consoante as funcionalidades, e estarão inicialmente disponíveis em Singapura, Guatemala e Bolívia.
No ano passado, na assembleia geral de acionistas, Zuckerberg já tinha dito que, à medida que a Meta AI evoluísse, a empresa poderia oferecer um serviço de subscrição para que os utilizadores pagassem por mais capacidade de computação.


