O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou numa nota interna enviada aos colaboradores esta quarta-feira que a decisão de despedir 8.000 funcionários é necessária porque o sucesso na área da inteligência artificial não está garantido. O executivo descreve o segmento de IA como feroz e altamente competitivo.
Na mensagem, a que a CNBC teve acesso, Zuckerberg escreveu que a inteligência artificial é a tecnologia mais consequente das nossas vidas e que as empresas que liderarem este avanço irão definir a próxima geração. A Meta recusou comentar publicamente a comunicação interna, que foi inicialmente noticiada pelo New York Times.
A nota de Zuckerberg sublinha a urgência com que a empresa está a tratar a IA, precisamente no dia em que arrancou a nova vaga de despedimentos, que atinge cerca de 10% da força de trabalho. Em abril, a empresa já tinha informado os funcionários de que realizaria um corte significativo de pessoal em maio e que iria cancelar planos para preencher 6.000 vagas em aberto. Na altura, a Meta explicou que estas medidas tinham como objetivo ajudar a compensar os investimentos noutras áreas, incluindo inteligência artificial.
Além dos despedimentos, cerca de 7.000 colaboradores serão transferidos para novas funções focadas em IA, segundo uma pessoa familiarizada com o processo, que pediu anonimato para falar sobre assuntos internos. Embora os cortes abranjam vários departamentos, as equipas dedicadas a infraestruturas de IA, modelos de base e monetização de IA deverão ser protegidas.
Zuckerberg reconheceu na sua mensagem que é sempre triste despedir pessoas que contribuíram para a missão da empresa e para a construção do negócio, acrescentando uma nota de gratidão a todos os que saem pelo trabalho desenvolvido ao serviço da comunidade. O CEO afirmou ainda que a Meta está a transformar-se para garantir que continua a ser o melhor lugar para pessoas talentosas terem o maior impacto possível.
Segundo o responsável, muitos funcionários valorizam a possibilidade de assumir maior responsabilidade e executar a sua visão com menos burocracia e menos níveis de gestão. A reestruturação procura precisamente reduzir estruturas intermédias e tornar os processos internos mais diretos.
Os cortes chegam num contexto de forte ansiedade dentro da empresa. A Meta já realizou várias rondas de despedimentos este ano e, de acordo com informações anteriores, era esperado um novo ciclo em agosto e outro no outono. Dados da plataforma anónima Blind mostram que a avaliação global da Meta pelos seus colaboradores caiu 25% desde o pico registado no segundo trimestre de 2024 até ao período atual, incluindo uma descida de 39% na classificação da cultura interna.
Na nota de quarta-feira, Zuckerberg indicou que a gestão não espera realizar outros despedimentos à escala de toda a empresa durante este ano. Admitiu também que a comunicação interna não tem sido tão clara quanto a administração gostaria e destacou que essa é uma área a melhorar.
Em janeiro, a Meta já tinha despedido cerca de 1.000 pessoas na unidade Reality Labs, movimento seguido, em março, por uma nova ronda que afetou centenas de funcionários adicionais. Ainda em março, a empresa anunciou que pretende reduzir a dependência de fornecedores externos e contratados para tarefas de moderação de conteúdos, substituindo progressivamente essas funções por soluções baseadas em IA.
A Meta não é a única grande tecnológica a avançar com cortes significativos de pessoal em paralelo com uma aposta reforçada em inteligência artificial. A Cisco anunciou recentemente que vai despedir cerca de 4.000 colaboradores. No texto em que explicou a decisão, o CEO Chuck Robbins defendeu que as empresas que irão vencer na era da IA serão aquelas que tiverem foco, sentido de urgência e disciplina para deslocar continuamente investimento para as áreas de maior procura e criação de valor a longo prazo.
A Microsoft, por sua vez, informou em abril que planeia oferecer rescisões voluntárias pela primeira vez na sua história. Cerca de 7% dos trabalhadores da empresa nos Estados Unidos são elegíveis, segundo uma pessoa conhecedora dos planos.

