Microsoft reforça aposta em semicondutores próprios para reduzir dependência da Nvidia

Microsoft reforça aposta em semicondutores próprios para reduzir dependência da Nvidia

Microsoft reforça aposta em semicondutores próprios para reduzir dependência da Nvidia

A Microsoft vai intensificar a utilização dos seus próprios semicondutores de inteligência artificial após anos de forte dependência das unidades de processamento gráfico da Nvidia. Esta transição estratégica surge numa altura em que a gigante tecnológica procura fortalecer a sua infraestrutura e diversificar as soluções de processamento que alimentam as suas operações na nuvem e ferramentas operacionais.

A mudança de paradigma começa com a terceira geração do seu acelerador de computação avançada, o Maia 300, apresentado esta segunda-feira. A tecnológica planeia apoiar-se predominantemente nos seus próprios componentes para processar os pedidos dos utilizadores nos seus serviços, incluindo a plataforma Azure e as ferramentas Microsoft 365 Copilot e GitHub Copilot. Atualmente, os processadores gráficos da Nvidia continuam a equipar grande parte dos centros de dados da multinacional e a suportar o treino de modelos complexos de parceiros como a OpenAI e a Anthropic, mas a pressão sobre a infraestrutura e a elevada procura impulsionam a procura de alternativas viáveis de silício.

Eficiência operacional e contenção de custos de energia

A produção industrial do Maia 300 tem início marcado para 2027. De acordo com as especificações detalhadas pela empresa, cada bastidor nos centros de dados conseguirá alojar 96 chips Maia 300, o que duplica a capacidade instalada face à versão Maia 200. Esta nova arquitetura consegue processar até sete vezes mais dados operacionais por bastidor, garantindo uma eficiência energética com 40% mais processamento por megawatt quando comparada com as unidades gráficas convencionais da Nvidia. A direção técnica salienta que a gestão energética se traduz diretamente em custos operacionais mais baixos, permitindo igualmente acelerar funções do Microsoft 365 Copilot.

O desenvolvimento de processadores próprios já deu contributos palpáveis no passado. Amy Hood, diretora financeira da tecnológica, destacou recentemente que a utilização de componentes internos tem apoiado a melhoria das margens financeiras ao longo da última década. Satya Nadella, diretor executivo da empresa, já tinha assinalado que o antecessor Maia 200 entregava um desempenho por dólar 30% superior face ao hardware da geração anterior presente nas infraestruturas do grupo.

Relação comercial com a Nvidia mantém-se nos centros de dados

Apesar da forte expansão da linha própria, a Nvidia continuará a desempenhar um papel fulcral no ecossistema da Microsoft. A colaboração estende-se a computadores portáteis e ao treino de modelos de grande escala, segmento onde a tecnológica mantém igualmente parcerias de processamento com a AMD. Além disso, analistas da Evercore ISI calculam que a família de semicondutores Maia representará cerca de 10% do investimento global da Microsoft em processadores de inteligência artificial até ao primeiro trimestre de 2027.

Ao contrário das soluções desenhadas pela Google ou pela Amazon, que disponibilizam os seus aceleradores para aluguer à hora a clientes externos, os componentes Maia permanecem restritos ao ecossistema fechado da Microsoft. A empresa privilegia a flexibilidade de poder implementar o silício adequado a cada modelo no momento certo, ajustando a capacidade dos seus centros de dados sem abrir estes processadores a entidades externas.

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