As ações da Microsoft subiram com força nas negociações de pré-abertura, enquanto a Meta recuou de forma acentuada, refletindo avaliações muito distintas dos investidores sobre os mais recentes resultados trimestrais das duas gigantes tecnológicas.
Na negociação mais recente em pré-mercado, os títulos da Microsoft avançavam cerca de 8%, ao passo que os da Meta caíam 8,5%. Apesar da reação positiva de curto prazo, a ação da Microsoft acumula uma descida de aproximadamente 24% desde o início do ano, enquanto a Meta recua cerca de 16% no mesmo período.
Microsoft beneficia da aceleração do negócio de IA
Na quarta-feira, a Microsoft apresentou resultados do quarto trimestre fiscal com receita acima das estimativas dos analistas e um forte impulso na sua atividade em nuvem. O negócio Azure registou um crescimento de 43%, também acima das expectativas do mercado, reforçando a perceção de que a empresa está a conseguir transformar a procura por inteligência artificial em crescimento efetivo.
A empresa revelou ainda que já conta com mais de 30 milhões de lugares pagos para o Microsoft 365 Copilot, a sua ferramenta de assistência baseada em IA dirigida ao trabalho, um aumento significativo face aos mais de 20 milhões reportados em abril. Este avanço é visto como sinal de que uma parte relevante dos seus investimentos em IA começa a gerar retorno comercial.
Segundo Tracy Woo, analista principal na Forrester, o forte crescimento de receita da Microsoft, combinado com a adoção acelerada do Copilot, indica que o programa de investimento de 190 biliões de dólares em centros de dados está a começar a produzir resultados tangíveis para a empresa.
A cotação da Microsoft avançou de forma expressiva mesmo depois de a empresa ter reiterado a sua previsão de despesas de capital para 2026 e ter sinalizado a possibilidade de um aumento adicional do investimento no seu ano fiscal de 2027. Estas indicações surgem num momento em que o mercado está particularmente sensível ao impacto dos custos associados à IA nos resultados das grandes tecnológicas.
Meta penalizada por queda do fluxo de caixa e guidance abaixo do esperado
Para a Meta, o quadro foi bem diferente. A empresa de redes sociais ficou aquém das expectativas dos investidores em termos de lucro e na sua orientação de receita para o trimestre em curso, o que desencadeou uma forte correção nas ações.
A Meta indicou que espera receita trimestral entre 61 biliões e 64 biliões de dólares, com um valor médio em torno de 62,5 biliões de dólares. Esta projeção ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para cerca de 63,15 biliões de dólares, refletindo alguma prudência da gestão quanto à evolução do negócio nos próximos meses.
Em paralelo, o fluxo de caixa livre da Meta caiu 91% em termos homólogos, para 784 milhões de dólares, fortemente pressionado pelas despesas ligadas aos investimentos em inteligência artificial. Este recuo acentuado reforçou as preocupações dos investidores sobre o impacto dos gastos em IA na geração de caixa da empresa e na sua capacidade de financiar o crescimento sem comprometer a rentabilidade.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou que a empresa está a receber "muitas propostas para capacidade de computação com um prémio significativo" face aos valores pagos pela própria Meta. Esta situação abre a porta a um possível novo negócio de leasing de capacidade computacional excedentária para terceiros, que poderia transformar parte da infraestrutura de IA num ativo gerador de receita adicional. Contudo, foram divulgados muito poucos detalhes sobre o formato concreto que esta atividade poderia assumir.
Zuckerberg reconheceu também que a Meta terá de reservar uma parte relevante dos seus recursos de computação para uso interno, de forma a continuar a desenvolver novos produtos e serviços baseados em IA. Esta necessidade limita, pelo menos numa primeira fase, a margem de manobra para disponibilizar ao mercado toda a capacidade excedentária.
Ben Barringer, responsável pela área de investigação em tecnologia na Quilter Cheviot, considera que a mensagem de Zuckerberg ainda é relativamente vaga e assente em possibilidades futuras, mais do que em planos concretos. Para o especialista, a Meta mantém um papel crucial no ecossistema da inteligência artificial, mas continua em processo de definição do seu caminho, o que se traduz em maior volatilidade tanto nos custos como nas receitas.


