Microsoft e Google tentam ganhar terreno na corrida da IA para programação

Microsoft e Google tentam ganhar terreno na corrida da IA para programação

Microsoft e Google tentam ganhar terreno na corrida da IA para programação

Microsoft e Google estão a reforçar a sua aposta na IA para programação, num mercado em que a Anthropic ganhou vantagem com o Claude Code e a OpenAI passou a focar-se mais no segmento empresarial. Ambas as empresas querem atrair programadores com modelos mais baratos, integração na cloud e ferramentas capazes de gerar utilização recorrente nas suas plataformas.

A pressão competitiva aumentou à medida que as empresas adoptam assistentes de código em maior escala. Para Microsoft e Google, o objectivo não é apenas abrir novas fontes de receita. Querem também que os programadores usem os seus modelos, corram cargas de trabalho nas suas clouds e alimentem sistemas que ficam mais capazes à medida que recebem mais utilização.

Google assume atraso, mas acelera a resposta

A Google deu destaque à IA agentic na sua conferência de programadores do mês passado, incluindo a apresentação da Antigravity 2.0, que a empresa disse conseguir coordenar vários agentes em paralelo, por exemplo para um agente programar um site enquanto outro gera activos de marca. No anúncio do Gemini 3.5 Flash, a Google afirmou ainda que o novo modelo oferece desempenho de topo para agentes e programação.

Sundar Pichai reconheceu recentemente que a Google ainda está atrás na programação agentic, na utilização de ferramentas e em tarefas de longa duração. Em paralelo, a empresa promoveu-se no Google I/O como uma opção mais acessível para programadores, ao anunciar uma subscrição de programador de IA por 100 dólares por mês.

A Google também tem o Gemini Code Assist, que funciona em vários editores de código. No ano passado, a empresa assinou um acordo de licenciamento de 2,4 mil milhões de dólares para a tecnologia da Windsurf e contratou o presidente executivo da startup, Varun Mohan, bem como investigadores-chave.

Microsoft prepara nova ofensiva no Build

A Microsoft vai apresentar a sua resposta esta semana, na conferência anual Build, em São Francisco. Segundo uma pessoa familiarizada com os planos, a empresa pretende anunciar um modelo de programação disponível no Copilot, com destaque para um preço mais baixo do que alternativas concorrentes.

A Microsoft já tinha o GitHub Copilot, lançado em 2021 e inicialmente dependente apenas da OpenAI. O texto indica, porém, que perdeu dinamismo com a rápida emergência da Cursor e que agora enfrenta pressão para se manter relevante num mercado em forte aceleração.

Na estratégia mais ampla, a Microsoft beneficia do acesso directo a milhões de programadores através do GitHub. Além disso, o GitHub Copilot já permite usar modelos da Anthropic, da Google e da OpenAI. Continua, no entanto, em aberto se a Microsoft se limitará a agregar os melhores modelos de programação ou se passará também a fornecer um modelo próprio de referência.

Um mercado em rápida expansão

A Mordor Intelligence prevê que o mercado de ferramentas de código com IA cresça 26% por ano, de 9,3 mil milhões de dólares este ano para cerca de 30 mil milhões de dólares em 2031. Para analistas citados no texto, a dimensão do mercado ajuda a explicar a intensidade da disputa entre as grandes tecnológicas.

Gil Luria, da D.A. Davidson, considerou que é absolutamente crítico para estas empresas competir neste segmento. Tomasz Tunguz, da Theory Ventures, descreveu a programação com IA como o mercado mais atractivo para os modelos de IA generativa e estimou que a IA poderá representar entre 30% e 60% da despesa em investigação e desenvolvimento.

Ken Parmelee, da Forrester, explicou que estes produtos funcionam também como porta de entrada para outros serviços, porque cada pedido consome tokens e aumenta a ligação do utilizador ao ecossistema do fornecedor. Na sua leitura, este é o novo ponto de entrada para fidelizar clientes e alargá-los a outros produtos.

Anthropic lidera, mas a concorrência intensifica-se

A Anthropic avançou para a frente do grupo no mercado de IA generativa, em grande parte graças ao Claude Code. A empresa anunciou na quinta-feira o fecho de uma ronda de financiamento com valorização de 965 mil milhões de dólares e disse na segunda-feira que apresentou confidencialmente um pedido de IPO.

Também na semana passada, a Anthropic actualizou o Claude Opus, o seu modelo mais avançado para tarefas complexas como programação. Com o Opus 4.8, a empresa anunciou um novo contexto padrão de 1 milhão de tokens, aumentando a memória de trabalho disponível para tarefas de código mais exigentes numa única conversa.

A Google, por sua vez, ajustou os limites de utilização do Antigravity depois de programadores terem criticado o facto de esgotarem as quotas iniciais demasiado depressa. A Microsoft, entretanto, começou a cobrar o Copilot de programação com base na utilização, para alinhar o preço com o aumento dos custos.

O texto sublinha ainda que estas ferramentas estão a tornar-se suficientemente poderosas para abalar o sector do software cotado em bolsa, embora esse sector tenha recuperado em Maio. Em empresas como a Snowflake, os programadores usam sobretudo ferramentas próprias, como a CoCo, além do Claude Code.

Em conjunto, a disputa mostra que a IA para programação deixou de ser um segmento periférico. Para Microsoft e Google, está em causa a capacidade de manterem os programadores dentro das suas plataformas e de converterem esse uso em crescimento futuro.

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