As negociações comerciais entre os Estados Unidos e o Canadá colapsam na sexta-feira, levando à entrada em vigor de um novo conjunto de tarifas de 50% impostas pela administração Trump.
Equipas negociadoras de ambas as partes trabalharam durante toda a semana na tentativa de alcançar um acordo, tendo em vários momentos sinalizado que um entendimento estava próximo. O Presidente Donald Trump tinha adiado o prazo original de quarta-feira, poucas horas antes de este ser aplicado, afirmando que existia um acordo prestes a ser finalizado. Dominic LeBlanc, ministro canadiano responsável pelo comércio com os Estados Unidos, afirmou na quinta-feira que um acordo estava muito próximo.
Contudo, na sexta-feira, ambos os lados responsabilizam-se mutuamente pelo fracasso das conversações, à medida que as tarifas, que incidem sobre cerca de 20 biliões de dólares em exportações canadianas, entram em vigor na manhã de sábado. As medidas abrangem produtos como vinho, mobiliário, lacticínios, cimento, vestuário, canas de pesca e equipamento de hóquei.
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, afirma num comunicado divulgado na sexta-feira que, apesar dos esforços para alcançar um acordo, esses avanços não foram suficientes para cumprir os objetivos definidos para os canadianos. Segundo Carney, as alterações de última hora propostas pelos Estados Unidos eram injustas, economicamente desfavoráveis e colocavam em causa a fiabilidade de qualquer acordo.
No mesmo comunicado, Carney indica que o Canadá irá retaliar face às novas tarifas dólar por dólar.
O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirma numa sessão informativa na Casa Branca, na noite de sexta-feira, que o Canadá recusou finalizar o acordo comercial nos termos que tinham sido acordados no início da semana.
A administração Trump assinou, em julho, três proclamações para impor tarifas adicionais de 50% sobre uma vasta gama de bens canadianos. As medidas são justificadas como resposta a alegada discriminação comercial contra vários produtos e indústrias norte-americanas, incluindo veículos, bebidas alcoólicas e lacticínios.
As tarifas enquadram-se na Secção 338 do Tariff Act de 1930, que confere ao Presidente o poder de aplicar tarifas até 50% sobre bens de países considerados discriminatórios em relação aos Estados Unidos. Este instrumento não era utilizado desde 1949.
O fracasso em alcançar um acordo acrescenta mais um ponto de tensão a uma relação já deteriorada entre Estados Unidos e Canadá. Os dois países encontravam-se igualmente a negociar o seu pacto comercial trilateral com o México, conhecido como USMCA, que não foi renovado em julho devido a preocupações com défices comerciais norte-americanos. Trump já tinha descrito esse acordo como o melhor acordo que alguma vez fizemos.

