Kevin Warsh, ex-governador da Reserva Federal dos EUA e nomeado pelo presidente Donald Trump para suceder Jerome Powell como presidente da Fed, enfrenta crescente oposição democrata à sua confirmação. O processo ganha contornos acesos com a audição marcada para 21 de abril no Comité Sénior de Banca, Habitação e Assuntos Urbanos, presidido pelo republicano Tim Scott. Esta sessão, agendada para as 10h de Washington, surge menos de um mês antes do fim do mandato de Powell, a 15 de maio, e promete debates intensos sobre a independência da Fed, estabilidade de preços e inflação.
Desafios de Elizabeth Warren às divulgações financeiras
A senadora Elizabeth Warren, figura proeminente na supervisão financeira, contestou publicamente as divulgações financeiras de Warsh, alegando que não cumprem os padrões éticos do Senado. Warren requereu registos da Fed entre 2006 e 2011, período em que Warsh integrou o conselho de governadores durante a crise financeira de 2008. Especificamente, pede documentos sobre intervenções chave, como a aquisição da Bear Stearns pela JPMorgan, o apoio a Morgan Stanley, Goldman Sachs e AIG, incluindo comunicações, isenções éticas e supervisão de resgates. Esta pressão visa esclarecer potenciais conflitos de interesse decorrentes do papel de Warsh na altura.
Fortuna pessoal sob análise
Warsh divulgou recentemente ativos superiores a 100 milhões de dólares, o que o posicionaria como o presidente da Fed mais rico de sempre, ultrapassando amplamente Jerome Powell. O portfólio inclui investimentos significativos em fundos como o Juggernaut Fund LP, ligações a Stanley Druckenmiller e participações em pelo menos 20 empresas de criptomoedas e inteligência artificial, sem valores específicos para ativos abaixo de mil dólares, conforme as regras do Gabinete de Ética Governamental. Democratas preveem questionar como esta riqueza poderá influenciar decisões de política monetária, num contexto de escrutínio sobre transparência e conformidade ética.
Obstruções democratas e calendário republicano
Onze senadores democratas, incluindo membros do comité, enviaram uma carta a Tim Scott a pedir o adiamento da audição até conclusão de investigações do Departamento de Justiça a Powell e à governadora Lisa Cook. Argumentam que estas sondagens devem fechar antes de avançar com Warsh, mas Scott confirmou a data, sublinhando discussões sobre a economia e independência da Fed. Republicanos como Thom Tillis também condicionam apoio ao fim da investigação a Powell. Apesar das resistências, a nomeação prossegue para aprovação final pelo pleno do Senado, com o processo a decorrer em plena tensão partidária a 18 de abril de 2026.


