A nomeação de Bill Pulte para diretor interino da inteligência nacional coloca à frente da comunidade de informações dos EUA um responsável sem experiência na área e com histórico de usar dados sensíveis para fins políticos, segundo o texto original. A decisão de Donald Trump gerou preocupações entre analistas e legisladores, que temem uma maior politização do cargo e enfraquecimento da recolha de informação dos EUA.
Quem é Bill Pulte
Bill Pulte dirige a Federal Housing Finance Agency, que supervisiona a Fannie Mae e a Freddie Mac. Antes de entrar no governo, foi investidor e executivo da empresa de construção PulteGroup. Segundo o texto, foi escolhido por Trump para substituir Tulsi Gabbard no cargo de DNI interina.
Ao assumir esse posto, Pulte passará a ter acesso aos segredos nacionais mais sensíveis do país, incluindo informação sobre operações de recolha de inteligência, fontes humanas e ferramentas de vigilância. O texto destaca que a função o coloca no topo de uma comunidade de inteligência vasta e com acesso ao que é descrito como os segredos mais preciosos do país.
As críticas à escolha
Especialistas citados no texto dizem que a nomeação pode ser usada para fins de retaliação política. Brett Bruen, antigo diplomata e responsável do Conselho de Segurança Nacional na administração Obama, afirmou que a decisão representa mais um exemplo de nomeações amadoras e absurdas na segunda presidência de Trump. Disse ainda que isto pode degradar mais as estruturas de inteligência e levar o uso da informação para fins impróprios e até ilegais.
Larry Pfeiffer, antigo director sénior da Situation Room da Casa Branca e ex-chefe de gabinete do antigo director da CIA Michael Hayden, mostrou-se igualmente crítico. Recordou que Pulte já usou informação hipotecária sensível para expor e atacar adversários do presidente, incluindo o procurador-geral de Nova Iorque, Letitia James, e a governadora da Reserva Federal, Lisa Cook. Para Pfeiffer, dar-lhe acesso a todos os segredos de segurança nacional levanta riscos sérios.
Reacção política
A Casa Branca defendeu a escolha, afirmando que Trump selecciona as pessoas mais talentosas para o seu gabinete e que esta administração alcançou sucessos recorde para o povo americano. Davis Ingle, porta-voz da Casa Branca, disse que Bill Pulte é uma boa escolha e que fará um excelente trabalho.
No Capitólio, a reacção foi fria. John Thune, líder da maioria no Senado, disse que os EUA não precisam de um DNI instrumentalizado, mas de profissionais. John Cornyn, senador republicano do Texas, afirmou não ver qualquer prova de qualificação para o cargo.
Os democratas foram ainda mais duros. Mark Warner, vice-presidente da comissão de inteligência do Senado, acusou Trump de escolher um responsável disposto a usar os poderes do governo para retaliação política. Warner também sublinhou que a lei exige experiência extensa em segurança nacional e capacidade de gestão para ocupar o cargo.
Limites legais e duração do cargo
O texto indica que Pulte poderá servir como chefe interino da inteligência durante 180 dias. Se a Casa Branca quiser mantê-lo no cargo a tempo inteiro, será necessária confirmação do Senado. O texto refere também que a lei que criou o gabinete da ODNI exige que o substituto tenha experiência extensa em segurança nacional e conhecimento de gestão.
Há ainda dúvidas sobre a possibilidade de o Congresso afastar Pulte antes do fim do prazo legal. Larry Pfeiffer admitiu que alguém poderá tentar contestar a nomeação em tribunal, mas acrescentou que o tempo de permanência no cargo pode esgotar-se antes de qualquer decisão judicial produzir efeito.
O texto recorda também que Tulsi Gabbard já tinha suscitado críticas em Janeiro, depois de ter surgido numa rusga do FBI a um escritório eleitoral na Geórgia. Para um antigo chefe de estação da CIA, que falou sob anonimato, a escolha de Pulte mostra como Trump vê o cargo de DNI, sugerindo que o presidente não atribui grande importância à função.
Pulte, enquanto responsável pela área da habitação, usou o acesso a registos hipotecários para remeter alguns dos principais adversários de Trump para investigação criminal. O Departamento de Justiça acusou Letitia James de fraude bancária, acusação que acabou por ser rejeitada. A denúncia apresentada por Pulte contra Lisa Cook levou Trump a tentar demiti-la, processo que continua pendente no Supremo Tribunal.
O cargo de DNI foi criado após falhas de inteligência que contribuíram para a morte de milhares de norte-americanos nos atentados de 11 de Setembro. O texto conclui que a nomeação de Pulte reacendeu receios sobre o uso político da inteligência e sobre o acesso de um responsável sem experiência à informação mais sensível do país.

