As ações da Oracle registaram uma valorização expressiva de 12% nesta quarta-feira, impulsionadas pela divulgação de previsões financeiras otimistas a longo prazo. A gigante tecnológica anunciou que espera atingir uma receita de 225 biliões de dólares no ano fiscal de 2030, o que representa um crescimento anual médio de 35%. Este anúncio trouxe um alívio significativo aos investidores, que estavam preocupados com o nível de endividamento da empresa e com os custos elevados associados à expansão da sua infraestrutura de inteligência artificial.
Estratégia de financiamento e controlo da dívida
Para sustentar este crescimento sem comprometer a estabilidade financeira, a Oracle revelou que irá limitar a captação de fundos adicionais a 20 biliões de dólares entre os anos fiscais de 2027 e 2030. Este montante será dividido de forma equitativa entre capital próprio e emissão de dívida. A empresa explicou, num documento enviado à SEC, que a utilização de financiamento de fornecedores, hardware fornecido por clientes e pré-pagamentos de clientes deverá reduzir as necessidades de liquidez imediata durante a fase de transição para um fluxo de caixa livre positivo.
Desempenho operacional e margens de lucro
A administração da Oracle sublinhou que a margem operacional deverá ultrapassar os 40% no ano fiscal de 2030. Esta expansão da rentabilidade é vista como essencial para cobrir os investimentos massivos que a tecnológica tem realizado. Após ter duplicado as suas despesas de capital para 55,7 biliões de dólares no ano fiscal de 2026, a empresa prevê um novo aumento de 65% no presente exercício, totalizando 91,9 biliões de dólares. O objetivo é competir diretamente com outros grandes fornecedores de serviços na nuvem e fornecer capacidade computacional para projetos de inteligência artificial de grande escala.
Recuperação da confiança dos investidores
Antes desta subida, a Oracle tinha perdido cerca de um terço do seu valor de mercado este ano, penalizada pelo receio de que as taxas de juro elevadas e a sua dívida de longo prazo, atualmente em 117 biliões de dólares, pudessem levar a uma descida do seu rating de crédito. Atualmente, a empresa mantém uma classificação de BBB-, o nível mais baixo de grau de investimento. No entanto, a perspetiva de atingir um fluxo de caixa livre positivo na segunda metade do ano fiscal de 2028, e de superar os 30 biliões de dólares no ano seguinte, parece ter acalmado o mercado.
A confiança na solvabilidade da Oracle também se refletiu no mercado de derivados de crédito. O custo dos seguros contra o incumprimento da dívida a cinco anos, conhecidos como credit default swaps, recuou para os 277 pontos base, após ter atingido os 320 pontos base no início deste mês. Embora este indicador ainda acumule uma subida de quase 100% no ano, a trajetória descendente recente sugere que os investidores estão a validar a nova estratégia de gestão financeira e o potencial de geração de rendimento da equipa liderada por Larry Ellison.


