O diretor de tecnologia do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, Emil Michael, afirmou publicamente que a administração de Donald Trump não deve procurar nacionalizar ou deter participações governamentais em empresas de inteligência artificial. Numa altura em que surgem preocupações crescentes sobre o avanço acelerado desta tecnologia, o responsável do Pentágono sublinhou que a intervenção direta do Estado no capital destas entidades não é o caminho desejado, defendendo que o governo não se deve colocar no meio de um setor onde operam algumas das maiores empresas da história do mundo.
Contradições na estratégia de investimento estatal
Esta posição surge num contexto de alguma ambiguidade política, uma vez que a segunda administração de Donald Trump tem vindo a adquirir participações num portefólio crescente de empresas do setor privado. Exemplos recentes incluem a detenção de uma quota de 10% na Intel e de uma ação especial na U.S. Steel, que é agora uma subsidiária da Nippon Steel. No entanto, no que toca especificamente à inteligência artificial, Michael reforçou que a experiência de nacionalização raramente produz bons resultados, preferindo manter a autonomia das tecnológicas que lideram o mercado global.
Oposição ao modelo de regulação europeu
Para além da questão da propriedade, o CTO do Pentágono sinalizou uma forte oposição ao aumento da supervisão regulatória sobre estas empresas. Emil Michael traçou uma distinção clara entre a abordagem de pré-regulação, que associa ao modelo seguido na Europa, e uma postura que responsabiliza as empresas pelo desenvolvimento de produtos seguros e alinhados antes do seu lançamento. Embora reconheça que incidentes recentes, como a intrusão informática na Hugging Face, sejam preocupantes, o responsável questionou que tipo de regulação poderia efetivamente impedir tais eventos de ocorrerem no futuro.
Segurança e concorrência estratégica com a China
Apesar de considerar perigoso depositar toda a confiança nas mãos de apenas alguns líderes do setor da inteligência artificial, Michael defende que o foco deve estar no cumprimento das leis já existentes, nomeadamente as que são aplicadas pela Federal Trade Commission. Esta visão está alinhada com a estratégia de Donald Trump, que apoia o crescimento rápido da inteligência artificial e dos centros de dados como forma de travar a influência da China. O presidente tem rejeitado os apelos para um abrandamento no desenvolvimento tecnológico, classificando os avisos de risco existencial como parte de uma campanha coordenada para influenciar decisões de forma irracional.
Em jeito de conclusão, o responsável do Departamento de Defesa sugeriu que os criadores de novas tecnologias podem, de forma voluntária, suspender certos desenvolvimentos até que compreendam totalmente as suas implicações, em vez de serem submetidos a imposições estatais. Michael criticou duramente as filosofias que preveem cenários de extinção, sugerindo que estas narrativas servem interesses instalados e não o progresso tecnológico necessário para manter a competitividade norte-americana no ecrã global da inovação.


