Os preços do petróleo registaram uma subida acentuada de cerca de 5% esta segunda-feira, 20 de abril de 2026, impulsionados pela escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irão. O Brent, referência europeia, atingiu os 108,66 dólares por barril, com um ganho de 5,26 dólares, enquanto o WTI americano subiu 2,54% para 98,65 dólares. Esta reação deve-se diretamente às ameaças iranianas de atacar infraestruturas energéticas no Médio Oriente, em retaliação a ataques que atingiram o campo de gás South Pars, o maior do mundo, localizado no Golfo Pérsico.
O conflito agravou-se com o bloqueio naval anunciado pelo comando militar norte-americano às portas iranianas, paralisando o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Esta via crítica viu o tráfego de petroleiros severamente restringido, com exportações do Iraque retomadas apenas parcialmente após acordo entre Bagdade e o Governo Regional do Curdistão, mas ainda abaixo dos níveis pré-crise. A produção iraquiana caiu para metade, enquanto Kuwait e Emirados Árabes Unidos registaram reduções de um terço cada. No total, estima-se que 8,5 milhões de barris por dia estejam paralisados na região, com reinício a demorar semanas ou meses, conforme análise de peritos.
Estas disrupções ocorrem num contexto de reservas globais de petróleo comprovadas que, segundo a Rystad Energy, equivalem apenas a 14 anos de produção atual. Em 2024, o mundo extraiu 30,1 mil milhões de barris, mas as novas descobertas limitaram-se a 1,8 mil milhões, um rácio de substituição de meros 6%. A consultora norueguesa projeta um défice cumulativo de mil milhões de barris nos próximos anos, agravado pela falta de investimento upstream, que caiu de 887 mil milhões de dólares em 2014 para cerca de 580 mil milhões este ano. Sem aceleração na exploração, a oferta não acompanhará a procura até 2050, mesmo com preços elevados.
Os EUA responderam com medidas para mitigar o impacto interno, como uma dispensa de 60 dias à Jones Act, permitindo navios estrangeiros transportar combustível entre portos americanos, e uma licença geral para transações com a petrolífera estatal venezuelana PDVSA. Ainda assim, os stocks de crude nos EUA aumentaram 6,2 milhões de barris na semana finda a 13 de março, para 449,3 milhões, superando expectativas. A inflação americana já reflete o choque, com preços da gasolina acima de 4 dólares por galão pela primeira vez em anos, devido às operações militares Roaring Lion e Epic Fury contra o Irão.
A Rystad sublinha que o mercado energético, anteriormente em perspetiva de sobra a partir de 2027, vira agora para défice a curto e médio prazo. A produção de GNL no Qatar, afetada em 17% da capacidade, retira 12 milhões de toneladas do mercado nos próximos 3 a 5 anos. Analistas como Ole Hvalbye, do SEB, indicam que ataques a infraestruturas chave como South Pars empurram preços para cima, com o Brent a poder manter-se entre 110 e 120 dólares nos próximos meses, mesmo se o conflito cessar imediatamente. Esta conjuntura testa a resiliência das cadeias de abastecimento globais, com refinarias a cortarem runs em 3 a 4 milhões de barris diários para priorizar petroquímicos.


