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Com a China a limitar exportações, a procura industrial em alta e um mercado físico escasso, a prata regista uma valorização histórica e riscos crescentes no mercado de papel.

Os preços da prata registaram em 2025 uma valorização histórica, subindo mais de 175%, impulsionados por uma grave escassez global de oferta e um mercado físico que já não consegue satisfazer a procura crescente de investidores e da indústria.

China restringe exportações

A partir de 1 de janeiro de 2026, a China vai limitar as exportações de prata, exigindo licenças governamentais apenas para empresas de grande porte aprovadas pelo Estado, com produção anual mínima de 80 toneladas e linhas de crédito de cerca de 30 milhões de dólares, excluindo na prática pequenos e médios produtores.

Com a China a controlar cerca de 60 a 70% da oferta global, estas restrições poderão reduzir imediatamente a quantidade de prata disponível para exportação, replicando táticas já utilizadas em metais de terras raras.

Tendo até Elon Musk comentado recentemente: “Isto não é bom. A prata é necessária em muitos processos industriais”, sublinhando a importância do metal para a indústria.

Escassez estrutural prolongada

O mercado de prata já apresenta défice estrutural há cinco anos consecutivos, com a demanda global em 1,24 mil milhões de onças em 2025, enquanto a oferta se ficou pelos 1,01 mil milhões de onças.

A prata não é apenas considerada um porto seguro, sendo essencial para setores como:

• Painéis solares

• Veículos elétricos

• Eletrónica de consumo

• Dispositivos médicos

Atualmente, o uso industrial representa 50 a 60% da procura total, e em muitos casos não existe substituto.

Ao mesmo tempo, o dólar enfraqueceu, tornando a prata cotada em dólares mais barata para investidores estrangeiros. Este efeito aumenta a procura internacional pelo metal, amplificando ainda mais a pressão de preços causada pela escassez física. Historicamente, a prata tem uma relação inversa com o dólar: quando a moeda americana perde valor, metais preciosos como a prata sobem.

Mercado de papel Vs. prata física

O desequilíbrio entre prata em papel e prata real é extremo, com uma proporção aproximada de 356:1. Isto significa que para cada onça de prata física, existem centenas de reivindicações em contratos financeiros. Se uma pequena parte dos compradores exigir entrega física, o sistema poderá entrar em colapso, pressionando ainda mais os preços.

O preço da prata em Xangai atingiu cerca de 85 dólares por onça, cerca de 5 dólares acima dos preços spot nos EUA, refletindo a escassez física global.Em 2025, a prata registou uma subida de 175%, com tendência de continuidade e oito meses consecutivos de alta, um fenómeno não visto desde 1980.

Limitações na produção e reciclagem

Novas minas demoram mais de 10 anos a serem construídas, a qualidade do minério está em declínio e a reciclagem não é suficiente para suprir a procura crescente, tornando impossível uma solução rápida para o desequilíbrio atual.

Consequências e perspetivas

Especialistas alertam que os preços da prata podem manter-se em alta no curto e médio prazo, à medida que:

  • A procura industrial continua a crescer

  • A oferta física permanece limitada

  • As restrições chinesas entrem em vigor

Em suma, a crise atual da prata evidencia um choque estrutural global, com impacto nos mercados financeiros, industriais e na estabilidade do sistema de contratos em papel, tornando a prata não apenas um porto seguro, mas um recurso estratégico cada vez mais escasso.

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