Os preços grossistas nos Estados Unidos registaram uma subida no mês de agosto, de acordo com os dados oficiais divulgados esta quinta-feira. Este indicador poderá desempenhar um papel fundamental na próxima decisão de política monetária do FED sobre as taxas de juro. O índice de preços no produtor, que mede os custos de procura final para bens e serviços, apresentou um aumento de 0,4% no mês, após o ajuste sazonal, um valor que vai ao encontro das previsões dos analistas.
Em termos anuais, a taxa do índice de preços no produtor fixou-se nos 5,4%, um nível que permanece significativamente acima do objetivo de inflação de 2% definido pelo FED, superando ainda em 0,1 pontos percentuais o que era esperado pelo mercado. Relativamente ao mês de julho, o indicador registou uma ligeira revisão em alta para um crescimento de 0,1%, contrastando com a estimativa inicial que apontava para uma ausência de alteração nos preços.
Energia e bens impulsionam a subida de preços
Excluindo as componentes mais voláteis de alimentação e energia, o núcleo do índice de preços no produtor acelerou 0,2% em agosto, um desempenho mais moderado do que a subida de 0,3% que tinha sido prevista. Por outro lado, o núcleo que exclui também os serviços de comércio registou um acréscimo de 0,3%. Os preços dos bens em geral subiram 1,1%, sendo que a energia na procura final registou um salto de 4,2%, muito influenciada pelo encarecimento do gasóleo, que disparou 24,1% no período em análise.
No setor dos serviços, a variação foi mais contida, fixando-se num aumento de apenas 0,1%. Para este comportamento contribuiu de forma decisiva a subida de 2,3% nos serviços de transporte e armazenamento. Já os custos de gestão de carteiras, uma métrica muito acompanhada nesta categoria, recuaram 1,6% no mês, embora ainda acumulem uma subida expressiva de 18,8% em termos homólogos.
A reação dos mercados financeiros à publicação destes dados macroeconómicos foi imediata. Os contratos futuros das ações norte-americanas inverteram para terreno negativo, coincidindo com o momento em que o preço do petróleo bruto nos Estados Unidos ultrapassou a barreira dos 100 dólares por barril. No mercado de dívida soberana, os rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano registaram uma subida acentuada.


