Preços de importação nos EUA sobem em junho com maior aumento de bens chineses desde 2008

Preços de importação nos EUA sobem em junho com maior aumento de bens chineses desde 2008

Preços de importação nos EUA sobem em junho com maior aumento de bens chineses desde 2008

Os custos dos bens importados pelos Estados Unidos registaram em junho uma subida inesperada, num contexto em que os preços dos produtos provenientes da China avançaram ao ritmo mensal mais forte em mais de 18 anos, de acordo com o Bureau of Labor Statistics (BLS).

Os preços de importação aumentaram 0,3% no mês, com a descida da energia a ser mais do que compensada por aumentos noutras categorias. Em termos homólogos, os preços subiram 7,1%, o maior avanço desde agosto de 2022. Os economistas inquiridos pela Dow Jones antecipavam uma queda de 0,8% em junho.

O relatório aponta que a expansão ligada à inteligência artificial pode estar a influenciar os preços, com subidas nos custos de computadores, periféricos e semicondutores.

Para além destes segmentos, o BLS indicou que a maquinaria industrial e de serviços contribuiu para a subida dos custos, compensando uma diminuição de 0,4% nos combustíveis e lubrificantes. Este grupo registara em maio um salto de 12,6%.

A China teve também um papel relevante, com os preços de importação a aumentarem 0,9%, a maior variação mensal desde janeiro de 2008, o que pode refletir o impacto de tarifas. Em termos de 12 meses, a subida foi de 1,3%, o maior ganho anual desde o período entre novembro de 2021 e novembro de 2022. Já os preços de exportação para a China recuaram 0,2% em junho, mas avançaram 7,4% em termos anuais, o maior aumento desde agosto de 2022.

De forma geral, o relatório mostra que, embora a queda dos preços do petróleo tenha ajudado a reduzir alguns custos em junho, a inflação dá sinais de alargamento para além da energia, à medida que as empresas enfrentam uma variedade de aumentos de custos. No conjunto, os preços de exportação diminuíram 0,6%, a primeira descida mensal desde maio de 2025. No entanto, em termos anuais, os preços de exportação subiram 10,2%.

No início da semana, o BLS divulgou que tanto os preços no consumidor como no produtor recuaram, sobretudo devido à descida dos custos da energia, à medida que as tensões entre os Estados Unidos e o Irão abrandaram temporariamente.

Os responsáveis da Reserva Federal têm enfrentado o desafio da inflação desde que os preços dispararam na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, iniciados no final de fevereiro.

Em audições no Congresso esta semana, o presidente da FED, Kevin Warsh, afirmou que não vê os dados mais suaves de inflação de junho como indicação de que o trabalho do banco central está concluído no objetivo de devolver a inflação aos 2%. Os relatórios mostraram preços no consumidor 3,5% acima do nível de há um ano e custos no produtor a subir 5,5% em termos homólogos, apesar de ambas as medidas terem recuado em junho.

Na quinta-feira, a presidente da Reserva Federal de Dallas, Lorie Logan, afirmou considerar que as taxas de juro de referência devem estar "modestamente mais altas" para enfrentar o problema da inflação. De forma semelhante, a presidente da Reserva Federal de Cleveland, Beth Hammack, sugeriu na sexta-feira que a política monetária precisa de ser mais restritiva.

"Pela primeira vez no meu mandato, estou a ouvir empresas que dizem pensar que precisamos de agir para travar a inflação, e consumidores que não conseguem chegar ao fim do mês a falar de um sentimento crescente de desespero", escreveu Hammack numa publicação no LinkedIn.

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