A pressão da IA está a penalizar as hyperscalers e a favorecer os chips de memória

A pressão da IA está a penalizar as hyperscalers e a favorecer os chips de memória

A pressão da IA está a penalizar as hyperscalers e a favorecer os chips de memória

As hyperscalers estão a sentir cada vez mais a pressão do custo do hardware ligado à IA, enquanto os fabricantes de memória e de armazenamento têm vindo a beneficiar dessa escassez. No centro do problema está a falta de chips, sobretudo na memória de elevada largura de banda, que se tornou um estrangulamento para estes gigantes tecnológicos.

O peso da escassez de hardware

Amazon, Alphabet, Microsoft e Meta Platforms têm recursos financeiros de sobra, mas isso não está a impedir que enfrentem uma barreira relevante no mercado bolsista: o hardware. A escassez de memória HBM, dominada por poucos produtores, está a limitar a capacidade de resposta da cadeia de abastecimento e a encarecer os investimentos em IA.

HBM é uma forma especializada de DRAM, essencial para computação de IA. A pressão nos custos já se refletiu em aumentos de preços sentidos pela Apple, à medida que os fabricantes de memória deslocam capacidade da DRAM destinada ao consumo para a HBM.

Memória e armazenamento ganham força

As ações de empresas como Sandisk, Western Digital e Seagate, ligadas ao armazenamento de longo prazo, também têm beneficiado. O texto sublinha que estas empresas continuam a mostrar capacidade de inovação, apesar de a expansão através de novas fábricas não ser, segundo elas, o caminho preferido.

A natureza opaca dos custos destes componentes em contexto empresarial contribui para a dificuldade em perceber o impacto real nos orçamentos de capital. Ainda assim, Microsoft e Meta já reconheceram, nas respetivas apresentações de resultados, que o aumento dos preços dos componentes pesou nas suas despesas de investimento.

As hyperscalers continuam a ficar para trás

Nos últimos trinta dias, as quatro hyperscalers caíram em bolsa, ao mesmo tempo que o Nasdaq, mais exposto à tecnologia, subiu quase 1%. Em contrapartida, um cabaz de ações de memória avançou 41% no mesmo período.

Entre as quatro, a Meta é a que depende mais diretamente da publicidade e do consumo, o que restringe a forma como o mercado encara o seu investimento em IA. O texto defende que a empresa precisaria de um negócio de serviços web para conseguir mostrar melhor o retorno do capital aplicado em IA.

A Meta está a descer 12,55% em termos anuais.

O problema já não é só a Nvidia

O autor considera que o estrangulamento já não se resume à Nvidia. As hyperscalers têm procurado reduzir essa dependência através de parcerias com Marvell Technology e Broadcom para desenvolver chips de IA personalizados.

Amazon afirma que, se o seu negócio de chips fosse uma entidade autónoma, teria um ritmo anual de receitas de 50 biliões de dólares. No caso da Alphabet, a colaboração com a Broadcom procura também quebrar a dependência da Nvidia.

Apesar disso, a Broadcom caiu com força após resultados recentes. A ação estava em 479 dólares antes de resultados de 3 de junho, fechou quinta-feira em 411 dólares e recuperou parte da queda de 22% registada após a divulgação.

Quem está a ganhar com esta rotação

O texto diz que empresas ligadas à memória, ao armazenamento e aos materiais para semicondutores parecem hoje mais atrativas do que as hyperscalers. Refere ainda nomes como Corning e Qnity Electronics, apresentadas como vencedoras indiretas da tendência da IA, com ambas as ações a mais do que duplicarem este ano.

Corning beneficia da procura por fibra óptica usada nos centros de dados, enquanto a Qnity fornece materiais especializados essenciais para a produção e embalagem de chips.

O dilema continua a estar nas hyperscalers

O autor defende que uma ou duas destas empresas vão acabar por abrandar o ritmo do investimento em IA, o que poderá favorecer as restantes. Não acredita que a Alphabet vá ceder, sobretudo depois de ter reforçado a sua posição e de a Apple estar a usar modelos Gemini da Google para melhorar a Siri.

Sobre a Microsoft, o texto vai mais longe e sugere que uma fusão com a OpenAI pode ser a única saída viável. No caso da Meta, a conclusão é clara: sem um negócio de cloud, arrisca tornar-se menos relevante nesta disputa. Já a Amazon é vista como demasiado competitiva para parar de gastar.

Entretanto, a Anthropic continua a ser apresentada como uma possível futura cotada com grande dimensão, embora o texto assinale que isso ainda não provocou o colapso que alguns poderiam esperar.

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