A Nvidia apresentou resultados que superaram amplamente as estimativas dos analistas antes de a diretora financeira, Colette Kress, entrar na conferência de resultados com uma previsão surpreendente para o próximo ano.
Kress indicou aos investidores que o crescimento da receita no ano fiscal de 2028 deverá atingir 70%, superando de forma expressiva a estimativa média de 44% dos analistas, compilada pela LSEG.
Tendo por base a projeção de consenso de 396 biliões de dólares em receitas para o ano fiscal de 2027, que termina em janeiro, as vendas no ano seguinte poderão atingir 673 biliões de dólares. Este volume colocaria a Nvidia à frente da Apple e da Alphabet, segundo projeções de Wall Street, ficando apenas atrás da Amazon entre as grandes empresas tecnológicas dos Estados Unidos, sendo que a Amazon continua a ter como atividade principal o retalho.
Este é o mais recente marco relevante para uma empresa que, antes do impulso da inteligência artificial, era um fabricante de chips relativamente de nicho. Atualmente, é a empresa mais valiosa do mundo e continua a apresentar taxas de crescimento históricas. A receita duplicou no último trimestre face ao período homólogo.
A orientação poderia ter sido ainda mais elevada não fossem as limitações do lado da oferta, já que a empresa enfrenta constrangimentos de fornecimento em componentes como memória, afetados por uma escassez global associada às infraestruturas de IA.
“A nossa procura é muito superior a 70%”, afirmou o CEO Jensen Huang na conferência de resultados. “A nossa oferta permite-nos entregar de forma confiante 70%, e vamos continuar a trabalhar com a nossa cadeia de fornecimento para ampliar a partir daí”, acrescentou.
A Nvidia não costumava fornecer previsões com um horizonte tão longo, embora, nos últimos anos, Huang tenha partilhado alguns dados pontuais sobre vendas esperadas de chips de IA num período de dois anos.
O responsável explicou aos analistas que a empresa decidiu divulgar esta projeção porque tem visibilidade sobre as necessidades de poder de computação para o próximo ano e porque os chips da Nvidia estão a impulsionar um volume tão elevado de investimento que é importante garantir alinhamento com os parceiros que fornecem terreno e energia.
“Toda a gente está a colocar muitos recursos em jogo, e por isso quisemos assegurar que todos dispõem do mesmo conjunto de informação”, referiu Huang.
A Nvidia indicou na quarta-feira que a procura pela sua tecnologia está a passar de grandes projetos de IA de vários biliões de dólares para um conjunto mais alargado de empresas, à medida que a inteligência artificial se torna capaz de realizar trabalho útil.
Alguns investidores têm manifestado receios de que o crescimento da Nvidia esteja concentrado num grupo restrito de grandes empresas tecnológicas, os chamados hyperscalers, que constroem centros de dados que acabam sobretudo por servir alguns laboratórios de fronteira, como a OpenAI.
Huang referiu que as fases iniciais desta expansão foram impulsionadas por “um único laboratório”, mas salientou que a situação mudou e que existe agora uma base de clientes bastante mais diversificada para o fabricante de chips.
“A procura está a acelerar”, afirmou Huang num comunicado publicado em paralelo com os resultados do segundo trimestre. “Por esta altura no ano passado, um único laboratório estava a impulsionar a expansão; hoje, vivemos uma idade de ouro de novos laboratórios e startups de IA, com múltiplos laboratórios de fronteira a crescer em paralelo, um ecossistema aberto de modelos em plena expansão e IA física a ganhar expressão, com forte dinamismo nos Estados Unidos e em todo o mundo”, descreveu.
Huang avançou mais detalhes na conferência de resultados, destacando que perspetiva um crescimento muito maior numa nova categoria de clientes que designa por ACIE, que inclui empresas regionais de IA, neoclouds, startups e empresas tradicionais.
Segundo o CEO, a tecnologia da Nvidia é particularmente apelativa para este grupo porque a empresa consegue fornecer grande parte da infraestrutura tecnológica de um centro de dados, e não apenas os chips. Huang sublinhou que estes clientes eram anteriormente em grande medida “invisíveis”.
No início deste mês, a Nvidia anunciou um programa para apoiar este tipo de empresas, bem como laboratórios de fronteira, no acesso a financiamento disponibilizado por seis grandes instituições financeiras.
“Essa parte da computação mundial provavelmente será, ao longo do tempo, maior do que aquilo que estamos atualmente a observar na cloud”, afirmou Huang. “A procura que vemos é impulsionada por todos esses fatores”, concluiu.

