A Boeing apresentou um prejuízo maior do que o esperado no segundo trimestre, pressionado pelos custos adicionais do programa Air Force One, há muito atrasado. O fabricante de aeronaves registou um encargo de 280 milhões de dólares relacionado com o projeto de entrega de dois 747 que irão servir como a próxima geração de aviões presidenciais do governo dos Estados Unidos. A empresa indicou que este aumento de investimento no programa não altera a previsão de primeira entrega, que continua apontada para 2028.
Numa nota dirigida aos colaboradores, o CEO Kelly Ortberg salientou que, apesar dos progressos nos programas de desenvolvimento, o trabalho ainda não está concluído. Segundo o responsável, os projetos só podem ser considerados terminados quando todo o processo estiver finalizado.
Nos resultados do segundo trimestre, o prejuízo por ação ajustado foi de 76 cêntimos, acima da perda de 30 cêntimos por ação esperada pelos analistas. A receita atingiu 24,56 biliões de dólares, superando os 24,25 biliões de dólares antecipados pelo mercado.
A Boeing, um dos principais exportadores dos Estados Unidos, aumentou a receita em 8% face ao mesmo período do ano anterior, para 24,56 biliões de dólares, apoiada em ganhos nas várias áreas de negócio, incluindo o aumento das entregas de aeronaves comerciais. A empresa está a reforçar a produção dos seus aviões 737 Max, o modelo mais vendido, para 47 unidades por mês, com novos incrementos planeados.
As entregas de aeronaves comerciais da Boeing no segundo trimestre subiram 14% em relação ao ano anterior, para 171 aviões, face aos 150 do mesmo período do ano passado.
O free cash flow atingiu 631 milhões de dólares, um valor muito acima da queima de caixa de 177 milhões de dólares esperada pelos analistas, e compara com uma queima de 200 milhões de dólares registada no segundo trimestre do ano passado.
O prejuízo líquido reportado foi de 428 milhões de dólares, o que corresponde a 67 cêntimos por ação, melhor do que o prejuízo de 612 milhões de dólares, ou 92 cêntimos por ação, registado um ano antes. Excluindo itens pontuais, a Boeing apresentou um prejuízo ajustado de 76 cêntimos por ação.
Na mesma nota interna, Kelly Ortberg afirmou que dois trimestres não definem todo o ano, mas destacou que, se a equipa trabalhar em conjunto e se mantiver focada na segurança, na qualidade e no cumprimento de prazos, a empresa poderá melhorar a sua competitividade e preparar-se para um segundo semestre forte.
Entre os próximos marcos da Boeing está a certificação de outros programas de aeronaves atrasados. O primeiro deverá ser o Boeing 737 Max 7, o mais pequeno modelo da família 737 Max.
Está igualmente prevista uma conferência com analistas, às 10h30 ET, na qual se antecipam questões sobre os processos de certificação do 737 Max 10 e do 777X, o novo avião de fuselagem larga da empresa.


