O relatório do emprego de maio, que será divulgado na sexta-feira pelo Bureau of Labor Statistics, deverá mostrar uma travagem clara na criação de postos de trabalho depois de um início de ano mais forte do que o esperado.
Expectativas para o relatório
Os economistas sondados pela Dow Jones esperam que as folhas de pagamento não agrícolas tenham subido em apenas 80 000 empregos em maio, abaixo da média de 150 000 dos dois meses anteriores, incluindo 115 000 em abril.
A previsão consensual aponta também para uma taxa de desemprego estável nos 4,3%.
Sinais de arrefecimento no mercado laboral
Várias vozes de Wall Street admitem que o número possa ficar ainda abaixo da expectativa, num contexto em que o mercado laboral continua marcado por poucas contratações e poucas demissões.
Laura Ullrich, diretora de investigação económica do Indeed Hiring Lab, disse que continua a ouvir e a observar uma dinâmica de baixa contratação e baixa saída de trabalhadores, em que quem já tem emprego está relativamente protegido, mas quem procura trabalho enfrenta muitas dificuldades.
Ullrich acrescentou que não ficaria surpreendida se o número de maio ficasse em linha ou abaixo do consenso.
Dados do BLS divulgados esta semana mostraram uma subida inesperada das vagas de emprego em abril, mas o número de pessoas que abandonaram voluntariamente o emprego está no nível mais baixo desde agosto de 2020, na fase da pandemia de Covid-19.
Segundo Ullrich, isto traduz um mercado estagnado, porque se as pessoas não saem dos empregos e não estão a ser criados novos postos de trabalho, a atividade laboral mantém-se praticamente parada.
Pressão adicional sobre o emprego
As expectativas em Wall Street são moderadas porque os economistas admitem que o bom tempo e outros factores sazonais terão ajudado a inflacionar os números anteriores, com excepção de fevereiro, que registou uma queda de 156 000 empregos, o único mês negativo do ano.
Também há sinais de despedimentos em alta. Em maio, foram anunciados 97 006 cortes de postos de trabalho, mais 16% do que em abril e o valor mais elevado para este mês desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 provocou despedimentos em massa, segundo a Challenger, Gray & Christmas.
A mesma empresa indicou ainda que os despedimentos anunciados ligados à inteligência artificial totalizaram 38 242, o valor mensal mais elevado desde o início da recolha destes dados, há cerca de três anos.
Na semana passada, os pedidos iniciais de subsídio de desemprego registaram o nível mais elevado desde o início de fevereiro.
Previsões mais pessimistas para maio
Goldman Sachs estima apenas 60 000 novos empregos, referindo que os indicadores de maior frequência que acompanha abrandaram ao longo do mês.
O economista-chefe da Vanguard, Adam Schickling, prevê apenas 20 000 empregos, defendendo que parte da força observada entre janeiro e abril deverá ser corrigida, depois de números favorecidos por um clima anormalmente quente e seco.
Já a EY-Parthenon aponta para uma subida de 50 000 empregos, o que, segundo a maioria das estimativas, continua a ser suficiente para manter a taxa de desemprego praticamente inalterada, com uma ligeira tendência de alta.
Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, afirmou que a desaceleração reflete parte do ajustamento da força anterior associada ao clima e uma postura de contratação ainda cautelosa. Acrescentou que espera ver a taxa de desemprego subir ligeiramente para 4,4%, em linha com um mercado laboral em que a procura e a oferta de trabalho desaceleraram ao mesmo tempo.
Impacto para a FED
Se os dados ficarem perto do consenso, o resultado deverá manter a FED em pausa, como tem acontecido ao longo do ano.
Os mercados praticamente não atribuem probabilidade a qualquer alteração na reunião de 16 e 17 de junho do Federal Open Market Committee. As expectativas apontam mesmo para uma manutenção da pausa da FED ao longo do ano, com aumento gradual das probabilidades de uma subida de juros no início de 2027, se a inflação continuar.
Daco considera que um mercado de trabalho estável, mas com inflação ainda elevada, aumenta a probabilidade de uma comunicação mais restritiva e equilibrada na próxima reunião do FOMC. Segundo disse, os responsáveis poderão salientar que novas subidas das taxas de juro continuariam em aberto se a inflação se revelar mais persistente.

