Rendibilidade das obrigações do Tesouro a 10 anos atinge máximo desde 2007

Rendibilidade das obrigações do Tesouro a 10 anos atinge máximo desde 2007

Rendibilidade das obrigações do Tesouro a 10 anos atinge máximo desde 2007

A rendibilidade de referência das obrigações do Tesouro a 10 anos escalou esta terça-feira para os níveis mais elevados dos últimos 19 anos, impulsionada pela subida dos preços do petróleo na sequência do conflito com o Irão e pelo aumento das expectativas de que a FED venha a subir as taxas de juro na quarta-feira. Esta subida nas taxas de juro pode repercutir-se fortemente na economia real, uma vez que a obrigação a 10 anos serve de referência fundamental para empréstimos aos consumidores e financiamento corporativo.

A taxa da obrigação a 10 anos registou uma subida superior a 3 pontos base, fixando-se em torno de 5%. No início da sessão, atingiu mesmo 5,041%, o valor mais elevado desde julho de 2007. Recorde-se que um ponto base equivale a 0,01 pontos percentuais, sendo que as rendibilidades e os preços se movimentam em direções opostas. Paralelamente, a rendibilidade da obrigação a 30 anos, que demonstra maior sensibilidade aos riscos geopolíticos, avançou 4 pontos base para 5,368%, tendo alcançado um máximo de 5,401%, também o patamar mais alto desde junho de 2007.

Esta dinâmica surge precisamente no início da reunião de política monetária da FED, com os mercados a anteciparem uma probabilidade elevada de um aumento de um quarto de ponto percentual no final dos trabalhos. Os operadores apontam para uma probabilidade superior a 92% de que o banco central aumente as taxas em 25 pontos base, após a inflação de agosto ter permanecido claramente acima da meta de 2% estabelecida pela instituição, conforme os dados de mercado disponíveis.

Especialistas na matéria salientam que as obrigações norte-americanas a 10 anos apresentam uma elevada sensibilidade às expectativas de inflação. Com os indicadores de inflação ainda a superarem a meta da FED, os analistas acreditam que esta correlação estreita deverá persistir a curto prazo. A relação direta entre o petróleo e as obrigações soberanas poderá continuar a exercer pressão ascendente sobre as rendibilidades caso os preços do crude se mantenham elevados, dado que os custos energéticos alimentam diretamente as expectativas inflacionárias.

O petróleo bruto WTI voltou a negociar em alta, ultrapassando os 102 dólares por barril, à medida que o conflito com o Irão se prolonga e o Estreito de Ormuz permanece essencialmente bloqueado. Os preços recuperaram de forma expressiva após os ataques terem sido retomados e com a diminuição das reservas de crude. No entanto, vozes governamentais mantêm alguma cautela, com responsáveis da administração a apontarem que existem sinais de abrandamento na dinâmica recente da inflação, embora os mercados permaneçam atentos à decisão final do banco central.

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