Os rendimentos das obrigações do Tesouro dos EUA registaram uma queda acentuada na sexta-feira, após a divulgação de um relatório de emprego referente ao mês de setembro inesperadamente fraco. Este resultado deverá travar um potencial aumento das taxas de juro por parte da Reserva Federal (FED) na sua reunião de outubro. O rendimento de referência das obrigações a 10 anos recuou quase 6 pontos base para 5,18%, depois de ter atingido esta semana os níveis mais elevados registados desde o ano de 2002. Por sua vez, o rendimento das obrigações a 30 anos desceu 3 pontos base para 5,57%, enquanto o rendimento a 2 anos, que se mostra mais sensível às decisões da FED, caiu 6 pontos base para 4,73%.
Criação de emprego fica muito aquém das previsões dos analistas
De acordo com os dados oficiais publicados pelo Bureau of Labor Statistics na sexta-feira, a criação de postos de trabalho não agrícolas aumentou em apenas 29 mil durante o mês de setembro. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%. Estes números contrastam fortemente com as previsões dos economistas consultados pela Dow Jones, que antecipavam um acréscimo de 84 mil postos de trabalho e a manutenção da taxa de desemprego. Para além disso, os dados de agosto foram revistos em baixa, revelando agora uma criação de 133 mil empregos nesse período.
Expectativas do mercado apontam para pausa na subida de taxas da FED
Face a estes resultados, os operadores de mercado estimam agora uma probabilidade de 84% de a Reserva Federal manter as taxas de juro inalteradas na reunião de outubro, segundo os dados da ferramenta FedWatch do CME Group. Lindsay Rosner, responsável pela gestão de investimentos de rendimento fixo multissetorial na Goldman Sachs Asset Management, partilha da visão de que um aumento das taxas de juro é improvável no corrente mês. A responsável afirmou que este registo fraco contraria a ideia de que o mercado de trabalho está a registar uma nova contração, mantendo-se como cenário base um aumento adicional em dezembro. No entanto, alertou que a pressão contínua dos mercados e a subida dos preços da energia poderão forçar a atuação da FED ainda este mês.
Alívio estende-se aos mercados de dívida europeus
A pressão sobre as obrigações soberanas globais também registou um alívio generalizado após as fortes vendas verificadas no decorrer desta semana. Os rendimentos dos títulos a 10 anos recuaram cerca de 3 pontos base nas principais economias europeias. Esta recente trajetória de subida dos rendimentos tinha sido impulsionada pelas preocupações em torno da inflação persistente e pelos discursos mais agressivos por parte dos bancos centrais, o que acabou por alimentar a expectativa de que as taxas de juro de referência pudessem permanecer em níveis elevados por um período de tempo mais prolongado.


