Os rendimentos da dívida pública dos Estados Unidos voltaram a subir na quinta-feira, à medida que os investidores avaliam a decisão da FED de manter as taxas de juros inalteradas e procuram sinais sobre os próximos passos da política monetária.
Por volta das 3h20 em Nova Iorque, o rendimento da obrigação do Tesouro a 30 anos avançava mais de 9 pontos base, para 5,236%, depois de ter atingido na quarta-feira o nível mais alto desde julho de 2007. O rendimento da referência a 10 anos subia mais de 8 pontos base, para 4,7%, enquanto a nota a 2 anos ganhava 5 pontos base, para 4,289%.
Cada ponto base corresponde a 0,01%, e rendimentos e preços dos títulos evoluem em sentidos opostos.
Na quarta-feira, a FED decidiu manter a sua taxa diretora na faixa entre 3,5% e 3,75%, com uma votação dividida de 9-3, na segunda reunião do FOMC com Kevin Warsh na liderança.
Segundo o comunicado divulgado após a decisão, "a atividade económica está a expandir-se a um ritmo sólido apesar da incerteza elevada que decorre, em parte, do conflito no Médio Oriente". O FOMC acrescentou ainda que "os ganhos de emprego têm acompanhado o crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego pouco se alterou".
Analistas do Deutsche Bank destacaram que a liquidação de Treasuries prosseguiu durante a noite e referiram que os seus economistas mantêm a expectativa de que a FED aumente as taxas de juros em 50 pontos base ainda este ano, o que implicaria subidas de 25 pontos base em setembro e em dezembro.
Na análise, os especialistas consideram que o FOMC dificilmente ficará confortado com a reação dos mercados na véspera, dado que a subida dos rendimentos na parte longa da curva, combinada com a queda dos rendimentos reais implícitos à frente, sugere dúvidas quanto a um regresso iminente à estabilidade de preços.
Os analistas acrescentaram que, no conjunto, as condições de crédito nos Estados Unidos permanecem favoráveis, mas alertaram que uma curva de rendimentos mais inclinada pode aumentar a pressão sobre um mercado imobiliário já enfraquecido.
Os investidores aguardam agora os dados semanais de pedidos de subsídio de desemprego e a leitura do índice de preços de despesas de consumo (PCE) para junho, que serão divulgados na quinta-feira.
Uma estimativa da Dow Jones aponta para um crescimento da inflação total de 3,7% em termos anuais e para uma subida de 3,3% na inflação subjacente, que exclui os preços de alimentos e energia.


