Resultados do primeiro trimestre da Boeing: CEO aponta caminho para 3 mil milhões de fluxo de caixa livre em 2026

Resultados do primeiro trimestre da Boeing: CEO aponta caminho para 3 mil milhões de fluxo de caixa livre em 2026

Resultados do primeiro trimestre da Boeing: CEO aponta caminho para 3 mil milhões de fluxo de caixa livre em 2026

A Boeing divulgou a 22 de abril de 2026 resultados do primeiro trimestre que superaram as expectativas dos analistas em quase todas as frentes, com receitas de 22,22 mil milhões de dólares, um aumento de 14% face ao período homólogo, e um prejuízo ajustado por ação de apenas 20 cêntimos, significativamente melhor que os 49 cêntimos registados no ano anterior. As ações abriram confortavelmente em terreno positivo no NYSE e acumulam uma valorização de cerca de 18% face ao mínimo recente, com os investidores a reagirem positivamente à trajetória de recuperação confirmada pela gestão.

Entrevista do CEO reforça a viragem financeira

O principal catalisador da reação positiva do mercado foi a entrevista do CEO Kelly Ortberg ao programa Squawk Box da CNBC, logo após a publicação dos resultados. Ortberg confirmou que o fluxo de caixa livre poderá atingir até 3 mil milhões de dólares em 2026, dentro da orientação de 1 a 3 mil milhões para o ano completo, e afirmou que os resultados do primeiro trimestre "superaram" as expectativas internas. "Tivemos um bom arranque no primeiro trimestre", declarou, sublinhando que a era de "queima" de caixa da Boeing está finalmente a aproximar-se do fim.

O CEO destacou também o progresso na redução do stock de aeronaves "glider", aviões construídos mas à espera de peças ou certificações, que a empresa está agora a converter em capital líquido. O consumo de caixa livre manteve-se negativo em 1,5 mil milhões de dólares no trimestre, uma melhoria face aos 2,3 mil milhões queimados no trimestre anterior, com a empresa a terminar o período com 20,9 mil milhões em liquidez contra 47,2 mil milhões de dívida.

Outras divisões compensam e backlog total atinge máximo histórico

Divisão comercial: recordes em entregas, mas ainda com perdas

A divisão de aviões comerciais facturou 9,2 mil milhões de dólares, mais 13%, mas acusou ainda uma perda operacional de 563 milhões de dólares. As 143 entregas do trimestre incluíram 114 unidades da família 737 MAX, 15 Dreamliners 787, oito 777 e seis 767, superando pela primeira vez as entregas da Airbus desde 2019. A linha de produção do 737 MAX estabilizou nas 42 aeronaves por mês e a Boeing já está a preparar os fornecedores para um aumento para 47 unidades mensais no verão. "Todos os sistemas estão prontos para este próximo aumento de cadência", confirmou Ortberg, indicando que a cadeia de abastecimento está finalmente sincronizada com os objetivos de montagem.

Outras divisões e backlog em máximos históricos

A compensação das perdas comerciais veio das restantes áreas: Defesa, Espaço e Segurança cresceu 21% em receita para 7,6 mil milhões de dólares, com lucros a subirem 50% para 233 milhões; os serviços aumentaram 6% para 5,4 mil milhões. O backlog total da Boeing atingiu um recorde histórico de 695 mil milhões de dólares, representando mais de 6100 aviões comerciais por entregar, com a divisão comercial a receber 140 encomendas líquidas no trimestre, incluindo 50 aeronaves para a Aviation Capital Group, 30 787-10 para a Delta Air Lines e 20 737-8 para a Air India.

Procura resiliente e o "trunfo chinês"

Apesar das preocupações com instabilidade geopolítica no Médio Oriente, Ortberg revelou que a procura se mantém tão elevada que outras companhias aéreas globais estão ativamente a tentar "entrar na fila" caso surjam slots de entrega disponíveis. Este dado reforça que o trabalho operacional pesado da Boeing está agora a transitar para a fase de colheita financeira.

O último pilar do caso de investimento é a China. Ortberg mostrou-se otimista quanto a um eventual acordo entre o Presidente Trump e o Presidente Xi, que poderia reabrir o mercado chinês à Boeing pela primeira vez em anos. "Estou confiante de que, se for feito um acordo ao nível dos países, haverá oportunidades de encomendas para nós", declarou. Uma reentrada formal na China não só impulsionaria o backlog como seria um evento de redução de risco geopolítico para os acionistas.

Perspetivas para investidores

Com um backlog recorde de 695 mil milhões de dólares, a produção do 737 MAX a acelerar para 47 unidades mensais no verão e um FCF potencial de até 3 mil milhões em 2026, a Boeing está a posicionar-se como um dos principais beneficiários da retoma estrutural da aviação global. O CFO Jay Malave descreveu 2026 como o início da reconstrução rumo à meta histórica de 10 mil milhões de dólares anuais em caixa livre, uma ambição que a empresa não cumpre desde 2023, com analistas a projetarem já 2,46 mil milhões para este ano. Para investidores com horizonte de médio-longo prazo, a cotação atual continua a oferecer uma entrada atrativa numa empresa que, finalmente, parece estar a transformar o seu vasto backlog em resultados financeiros concretos.

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