O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos e ao Estreito de Ormuz, anunciado após o fracasso das negociais de paz no fim-de-semana, provocou uma subida acentuada dos preços do petróleo. O Brent, referência internacional, atingiu os 101,88 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) chegou aos 104,69 dólares, com ganhos superiores a 7% na sessão asiática de segunda-feira. Esta escalada reflecte a remoção potencial de até dois milhões de barris diários do mercado global, uma vez que o Irão exporta actualmente quantidades significativas de crude, maioritariamente para a China, através de trânsitos evasivos às sanções ocidentais.
Contexto do conflito e impacto no Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e gás natural liquefeito, tornou-se o epicentro das tensões. O Irão retaliara previamente ao conflito iniciado em Fevereiro, limitando o tráfego, o que já pressionara os preços para perto dos 120 dólares por barril. Um cessar-fogo temporário de duas semanas, anunciado por Donald Trump a 7 de Abril e condicionado à reabertura do estreito, fizera os preços recuar para cerca de 70 dólares. Contudo, as conversações no Paquistão, envolvendo o vice-presidente JD Vance, terminaram sem acordo, levando Trump a ordenar o bloqueio para cortar as receitas iranianas do petróleo, estimadas em 390 milhões de dólares diários.
Especialistas consideram esta medida um acto de guerra, exigindo o empenho contínuo de uma frota naval significativa no Golfo de Omã e Mar Arábico. A Agência Internacional de Energia (AIE) liberara já 400 milhões de barris de reservas de emergência, mas o director executivo Fatih Birol sublinhou que novas libertações dependem da evolução, sem garantia de resolução da crise energética.
Reações dos mercados globais
Os mercados financeiros acusaram o choque. Na Ásia, o dólar enfraqueceu, as ações caíram e as obrigações foram vendidas, com investidores a recearem disrupções no aprovisionamento e pressões inflacionistas. Em Telavive, os índices TA-35 e TA-125 recuaram 1,1%, com o sector bancário e segurador a perder terreno, enquanto energéticas como Delek Group subiram 3,4% e Tamar Petroleum 2,6%, beneficiando da subida do petróleo. Na Austrália, o ASX deslizou face aos receios de bloqueio no Golfo.
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina ultrapassara os 4 dólares por galão em Março, e previnem-se subidas adicionais. Países adoptam medidas como semanas de trabalho encurtadas para poupar energia. O prémio do WTI sobre o Brent, invulgar, indica procura crescente por crude americano como alternativa aos produtores do Golfo.
Outros desenvolvimentos relevantes
Além do petróleo, a derrota do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán nas eleições sinaliza uma viragem pró-União Europeia, abrindo caminho a fundos bloqueados e apoio à Ucrânia. A temporada de resultados americanos arranca com o Goldman Sachs a reportar antes da abertura, podendo estabilizar o sentimento dos investidores em meio a estes riscos geopolíticos. O mercado de Bitcoin manteve-se estável, alheio à turbulência. A Arábia Saudita restaurou a capacidade total da sua pipeline Este-Oeste após danos por drones, mitigando parcialmente perdas de 600 mil barris diários.
Os mercados aguardam agora desenvolvimentos, com o Irão a ameaçar retaliar contra todos os portos do Golfo Pérsico se os seus forem visados. Esta incerteza mantém os preços voláteis, com previsões de 110 dólares por barril no curto prazo, testando a resiliência das economias dependentes de importações energéticas.


