O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, no Estreito de Ormuz, provocou uma subida acentuada dos preços do petróleo, com o Brent a ultrapassar os 100 dólares por barril. Esta medida, anunciada pelo Comando Central dos EUA (Centcom) após o falhanço das negociações de paz no Paquistão, agrava as disrupções no fornecimento global de crude, que já se arrastam desde o início do conflito entre os EUA, Israel e o Irão em fevereiro. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e gás natural liquefeito, permanece com tráfego reduzido a menos de 10% dos níveis pré-guerra, devido a ataques iranianos e agora ao bloqueio americano.
Subida dos preços do petróleo e reação dos mercados
O Brent crude valorizou 7% na segunda-feira, atingindo 101,75 dólares por barril após tocar os 104 dólares no domingo. O West Texas Intermediate (WTI) seguiu a tendência, subindo 7% para 103,48 dólares. Esta recuperação reverte parte da descida registada após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas por Trump a 7 de abril, condicionado à reabertura do estreito pelo Irão – condição que Teerã não cumpriu. Analistas da Eurasia Group alertam que o bloqueio desencorajará ainda mais o tráfego de navios, mantendo a pressão sobre os preços. Globalmente, o dólar caiu, as ações recuaram em alguns mercados como o ASX australiano, enquanto matérias-primas moles subiram e os obrigações foram vendidas, reflectindo receios de inflação e disrupções no aprovisionamento.
Contexto do conflito e impacto económico
O bloqueio visa estrangular a economia iraniana, impedindo o tráfego de embarcações ligadas a portos de Teerã, incluindo no Golfo Pérsico e Golfo de Omã. O Irão exporta perto de 2 milhões de barris por dia, e a sua remoção do mercado cortaria esse volume do fornecimento global. O conflito, que começou com operações militares americanas e israelitas, levou Teerã a retaliar fechando efectivamente o estreito e a instalar minas navais – minas que os EUA têm destruído em ataques recentes. Países fora do Médio Oriente sentem já os efeitos: nos EUA, o preço médio da gasolina superou os 4 dólares por galão em finais de março, levando algumas nações a encurtar semanas de trabalho para poupar energia. Hubs petrolíferos regionais danificados agravam a crise na cadeia de abastecimento.
Outros catalisadores nos mercados
Além das tensões geopolíticas, a semana arranca com resultados trimestrais, como os do Goldman Sachs, que caíram 3% em bolsa após receitas débeis em obrigações, divisas e commodities, apesar de recordes em acções. O S&P 500 inverteu perdas iniciais para subir 0,1%, enquanto o ouro recuou para perto dos 4744 dólares por onça e os yields dos Treasuries a dois anos se mantiveram em 3,79%. Em Hungria, a derrota do primeiro-ministro Viktor Orbán nas eleições abre caminho a fundos europeus e apoio à Ucrânia, mas fica em segundo plano face à volatilidade energética. Acionistas devem monitorizar o evoluir do bloqueio, que exige compromisso naval prolongado e pode ser interpretado como acto de guerra.


