O S&P 500 decidiu não acelerar a entrada da SpaceX e manteve a regra de espera de 12 meses para novas ações, o que significa que os investidores em fundos passivos ligados ao índice não terão exposição à empresa tão cedo.[1]
Na prática, quem tiver ETFs como o VOO, o IVV ou o SPY terá de aguardar até meados de 2027 para obter exposição à SpaceX através do S&P 500, apesar da estreia em bolsa prevista para sexta-feira.[1]
O que decidiu o S&P 500
O comité que define as regras de inclusão no S&P 500 rejeitou a ideia de adaptar o processo para a maior IPO da história, optando por manter o período normal de 12 meses de negociação pública antes de avaliar a entrada de uma nova ação.[1]
Esta posição contrasta com a dos índices Nasdaq e Russell, cujos responsáveis decidiram actualizar as regras para lidar com a nova vaga de mega capitalizações, num momento em que OpenAI e Anthropic também são apontadas como próximas candidatas a grandes ofertas públicas.[1]
Impacto para investidores em fundos indexados
Segundo Todd Sohn, da Strategas Securities, quem quiser exposição à SpaceX não a encontrará no S&P 500 e terá de procurar alternativas como o Nasdaq 100 ou o Russell 1000.[1]
Para Peter Haynes, da TD Securities, a decisão é controversa, mas encaixa na forma como já funcionam alguns índices globais, lembrando o precedente da Saudi Aramco, que foi incluída rapidamente por fornecedores como a FTSE e a MSCI após a sua IPO em 2019.[1]
Haynes acrescentou que a manutenção das regras actuais também preserva o teste de rentabilidade do S&P 500, o que pode atrasar ainda mais a entrada de SpaceX e agravar diferenças de desempenho entre o S&P 500 e outros índices norte-americanos.[1]
Valor, perdas e risco
A SpaceX deverá começar a negociar com uma valorização de 1,75 bilião de dólares, mas continua a ser um investimento de risco elevado, depois de ter registado uma perda líquida de 4,28 mil milhões de dólares no último trimestre.[1]
O texto também refere que OpenAI e Anthropic estão a consumir capital a um ritmo elevado e a acumular prejuízos, apesar de gerarem receitas relevantes, pelo que poderão enfrentar o mesmo escrutínio quando chegarem ao mercado.[1]
Alternativas para quem quer exposição
Há outras formas de obter exposição à SpaceX, nomeadamente através de ETFs temáticos ligados ao espaço e à inovação tecnológica, alguns dos quais já detinham posições directas pré-IPO na empresa.[1]
Entre os exemplos citados está o Tema ETFs Space Innovators ETF, com 2,6 mil milhões de dólares em activos, lançado a 30 de Maio, e que oferecia acesso directo à SpaceX antes da IPO.[1]
Também estão a surgir ETFs alavancados ligados à acção, incluindo o ProShares Ultra SpaceX ETF, que procurará duplicar a variação diária da SpaceX, e dois produtos semelhantes da GraniteShares, um longo e outro curto.[1]
Mesmo assim, Sohn alerta que estes produtos são destinados sobretudo a operadores de curto prazo, porque as perdas podem acumular-se rapidamente e as comissões tendem a ser elevadas.[1]
Para a maioria dos investidores, a mensagem central é simples. O índice que muitos usam para captar as maiores empresas dos Estados Unidos não vai acompanhar a SpaceX de imediato.[1]

