Shein está a preparar uma oferta pública inicial em Hong Kong para levantar até 13,86 biliões de dólares de Hong Kong, o equivalente a cerca de 1,77 biliões de dólares, de acordo com um documento apresentado na segunda-feira.
O retalhista de moda rápida pretende vender cerca de 280 milhões de ações da classe B, com um preço entre 47,60 e 49,50 dólares de Hong Kong por ação, o que implica uma valorização próxima de 27 biliões de dólares norte-americanos no limite superior dessa faixa.
O preço final da oferta será anunciado pela empresa em 31 de agosto, estando previsto que as ações comecem a ser negociadas em 1 de setembro.
A empresa, que foi avaliada em 64 biliões de dólares em 2023 e em abril de 2024, registou uma queda acentuada face às rondas privadas de financiamento anteriores, em que tinha sido avaliada em 98,2 biliões de dólares em 2022.
A valorização da Shein tem diminuído devido à desaceleração do seu crescimento acelerado e à pressão sobre a rentabilidade. O crescimento da receita abrandou para 8% em 2025, face aos 20,7% do ano anterior, enquanto a perda de uma isenção de direitos de importação nos Estados Unidos e um encargo contabilístico pontual conduziram a um prejuízo de 99 milhões de dólares no início de 2026.
As tarifas têm penalizado a receita e as vendas da Shein no último ano, com a empresa a indicar que teve de repercutir os custos e aumentar os preços para os clientes.
A Shein obteve aprovação para uma cotação em Hong Kong por parte da China Securities Regulatory Commission no início de julho, após tentativas falhadas de abertura de capital em Londres e Nova Iorque.
No entanto, investidores e consumidores já não estão tão entusiasmados com o retalhista de ultra-fast fashion como estiveram no passado, apontou Shaun Rein, managing director da China Market Research Group.
A empresa perdeu o momento ideal para se listar, afirmou William Ma, chief investment officer da GROW Investment Group.
O apetite dos investidores pelo gigante do retalho diminuiu, especialmente numa altura em que o pipeline de IPOs do mercado acionista de Hong Kong é dominado por empresas de inteligência artificial e de chips.
A Shein enfrenta ainda preocupações éticas relacionadas com as condições de trabalho nos seus fornecedores, perdeu dinamismo junto dos consumidores com menos de 35 anos e tem tido dificuldades em acompanhar concorrentes como a Temu.

