A Shell mais do que duplicou os lucros ajustados do segundo trimestre face ao ano anterior, apoiada pela subida acentuada dos preços do petróleo e do gás, pela utilização recorde das refinarias e por resultados fortes nas atividades de trading. Os resultados superaram com margem as expectativas dos analistas.
A empresa reportou lucros ajustados de 9,84 biliões de dólares no segundo trimestre, mais do dobro dos 4,26 biliões de dólares registados em igual período do ano passado, superando confortavelmente as estimativas dos analistas, que apontavam para 8,8 a 8,9 biliões de dólares.
Segundo a Shell, a subida dos lucros ajustados refletiu um aumento significativo nos preços realizados de petróleo e gás, maiores resultados nas atividades de trading de crude, combustíveis e LNG, margens de químicos em forte expansão e uma utilização recorde das refinarias.
A taxa de utilização das refinarias atingiu 102% entre abril e junho, face a 99% no primeiro trimestre de 2026, sobretudo devido à redução de atividades de manutenção planeadas e não planeadas. As margens robustas de refinação e de químicos também contribuíram de forma importante para os lucros da Shell no trimestre.
A margem indicativa global de refinação da Shell aumentou para 24 dólares por barril, comparando com 17 dólares por barril no primeiro trimestre, enquanto a margem indicativa global de químicos duplicou para 270 dólares por tonelada, face a 139 dólares por tonelada anteriormente.
Os lucros da petrolífera ficaram acima do esperado apesar de volumes mais baixos de LNG, penalizados pelo impacto do conflito no Médio Oriente na produção no Qatar.
A Shell já tinha sinalizado, no início deste mês, que registaria resultados significativamente mais elevados nas operações de trading de petróleo e LNG no segundo trimestre, à medida que a guerra no Irão gerou uma volatilidade extrema nos mercados de matérias-primas energéticas.
O free cash flow disparou para 17,524 biliões de dólares no segundo trimestre, um forte aumento face aos 6,531 biliões de dólares registados no mesmo período de 2025.
Em linha com esta geração de caixa, a Shell anunciou um novo programa de 3 biliões de dólares em recompras de ações a concluir no terceiro trimestre, o 19.º trimestre consecutivo em que a empresa anuncia pelo menos 3 biliões de dólares em recompras.
"A desempenho operacional da Shell permitiu resultados muito fortes durante mais um trimestre de perturbação severa nos mercados energéticos globais, enquanto trabalhámos intensamente para fornecer energia e produtos críticos aos nossos clientes", afirmou o CEO Wael Sawan.
Outras grandes petrolíferas europeias, como a Eni, a TotalEnergies e a Equinor, também registaram aumentos significativos nos lucros face ao ano anterior, beneficiando da subida dos preços do petróleo e do gás durante a crise no Médio Oriente, o que se traduziu em ganhos extraordinários para as maiores empresas de energia.


