Singapura reforçou de forma inesperada a sua política monetária na segunda-feira, pela segunda vez consecutiva, atuando de forma preventiva face a uma nova subida dos preços do petróleo, apesar de a inflação interna se manter contida.
A Autoridade Monetária de Singapura (MAS) anunciou que vai aumentar "muito ligeiramente" a taxa de apreciação da banda de política do índice cambial efetivo nominal do dólar de Singapura. O alargamento da banda e o nível em que está centrada permanecem inalterados, com o ajustamento descrito como inferior ao realizado em abril.
Na semana anterior, economistas inquiridos esperavam que o banco central mantivesse a sua postura de política monetária, sem alterações.
Ao contrário da maioria dos bancos centrais, a MAS conduz a sua política monetária através da gestão da taxa de câmbio do dólar de Singapura, face a uma cesta de moedas ponderada pelo comércio, dentro de uma banda não divulgada, em vez de definir taxas de juro de referência.
Numa nota sobre a decisão, a MAS referiu que, num ambiente de incerteza persistentemente elevada, este ajustamento calibrado da orientação da política monetária aprofunda o movimento de reforço implementado em abril.
Selena Ling, economista-chefe e responsável de research do grupo OCBC, sublinhou que a maioria dos analistas apontava para ausência de mudanças na política da MAS nesta reunião, pelo que a decisão não correspondia a uma posição consensual. A responsável acrescentou que duas medidas consecutivas de aperto indicam que a MAS não pretende tornar-se complacente face à inflação importada.
A inflação subjacente de Singapura, que exclui custos de alojamento e de transporte, subiu para 1,6% em junho, face a 1,4% em maio, situando-se perto do limite inferior da projeção da MAS para este ano, situada entre 1,5% e 2,5%. A inflação geral fixou-se em 1,9%.
Desde o início do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, os preços dos combustíveis para transporte aumentaram rapidamente. No entanto, uma inflação mais fraca nos serviços, em particular na saúde, comunicação e educação, ajudou a compensar grande parte da pressão ascendente sobre os preços, de acordo com a BMI, empresa do grupo FitchSolutions.
A BMI destacou que as pressões de custos importados tendem a repercutir-se nos preços ao consumidor com algum desfasamento temporal, razão pela qual continua a antecipar uma subida da inflação nos próximos meses.
O OCBC prevê que a inflação geral e a inflação subjacente ultrapassem temporariamente cerca de 2,5% e 2,3%, respetivamente, nos próximos meses. Segundo estas projeções, a inflação poderá apenas recuar de forma sustentada para abaixo de 2% a partir da segunda metade de 2027.
A quase total dependência de Singapura de energia importada torna o país mais vulnerável a períodos de preços elevados do petróleo.
Na semana passada, o Brent voltou a ultrapassar os 100 dólares por barril, depois de militantes Houthi terem atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, agravando uma ameaça à oferta que tinha diminuído antes do colapso do cessar-fogo no Médio Oriente.
Apesar da instabilidade geopolítica e da pressão sobre os mercados de energia, a economia de Singapura tem conseguido resistir, apoiada pela forte procura ligada à inteligência artificial, que impulsiona as exportações de eletrónica.
O produto interno bruto de Singapura aumentou 5,7% no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, superando a estimativa mediana de 5,5% e situando-se bem acima da projeção oficial de crescimento anual entre 2% e 4%.


