Os compradores voltaram a assumir o controlo na semana passada e colocaram o S&P 500 novamente muito perto de um máximo histórico. O índice avançou pela oitava semana consecutiva desde o fundo atingido em 30 de março, durante a guerra no Irão, assinalando a mais longa série de ganhos desde o final de 2023. No fecho de sexta-feira, o S&P 500 estava a menos de 0,4% do máximo de fecho de 14 de maio, nos 7.501 pontos.
O arranque da semana foi mais difícil. O petróleo voltou a negociar bem acima dos 100 dólares por barril e a rendibilidade da obrigação do Tesouro norte-americano a 30 anos atingiu, na terça-feira, o nível mais alto desde 2007. Esse movimento penalizou as ações, e o S&P 500 acabou o dia com uma sequência de três sessões negativas, algo que já não acontecia desde o final de março. Tal como no início da guerra no Irão, o mercado voltou a reagir sobretudo ao que acontecia no petróleo e nas obrigações, com o entusiasmo em torno da inteligência artificial a não chegar para inverter a pressão.
A recuperação começou na quarta-feira, quando os preços do petróleo e os juros recuaram. O índice reagiu em alta e prolongou a subida até quinta-feira e sexta-feira. Para esse alívio ajudou também a declaração do Presidente Donald Trump, que disse que os EUA estavam nas fases finais das conversações de paz com o Irão.
A semana não foi movida apenas pela expectativa de uma resolução geopolítica. A Nvidia apresentou, na quarta-feira à noite, mais um trimestre forte, com resultados acima das previsões e perspetivas revistas em alta. Ainda assim, a ação caiu 2,6% na sessão seguinte e mais 0,5% na sexta-feira. Já a Arm beneficiou com a leitura positiva do trimestre da Nvidia, depois de a empresa ter destacado a forte procura pelos seus novos processadores Vera baseados em Arm. As ações da Arm subiram mais de 16% após os resultados da Nvidia e terminaram a semana com uma subida de 46%.
Outro nome em destaque foi a Goldman Sachs. A entrada da SpaceX em bolsa, num processo que poderá tornar-se o maior IPO da história, deu à instituição um papel de liderança no negócio. A expectativa de mais comissões e de maior atividade no banco de investimento ajudou as ações da Goldman, que avançaram cerca de 5% na semana e terminaram em máximos.
Também a CrowdStrike teve uma forte valorização, apoiada por vários aumentos de preço-alvo por parte de analistas e pela leitura de que as empresas de cibersegurança não estão ameaçadas pela adoção da inteligência artificial. As ações subiram quase 12% na semana e prolongaram uma série de seis semanas consecutivas de ganhos.
No conjunto da semana, o S&P 500 avançou 0,9%. O Nasdaq, mais exposto à tecnologia, subiu 0,5% e o Dow Jones Industrial Average ganhou 2,1%. O Dow terminou a semana em máximos históricos.
Os fatores que marcaram a semana
O regresso do petróleo e dos juros ao centro das atenções mostrou que o mercado continua sensível aos mesmos fatores que já tinham travado a subida das ações noutras fases do ano. Quando esses dois elementos aliviaram, as compras regressaram rapidamente. A leitura dos investidores foi clara. Enquanto o choque nos mercados de energia e de dívida persistiu, as ações perderam fôlego. Quando essa pressão diminuiu, o apetite pelo risco voltou.
A Nvidia voltou a confirmar o seu peso na narrativa tecnológica, mas a reação do título lembra que números fortes nem sempre se traduzem em ganhos imediatos na bolsa. Já a Arm mostrou como empresas expostas ao ecossistema da Nvidia podem beneficiar diretamente da força da procura em inteligência artificial. No setor financeiro, a Goldman Sachs tirou partido da expectativa de um grande fluxo de negócio ligado à SpaceX e a outras futuras operações no setor tecnológico.
Em suma, a semana deixou o S&P 500 novamente muito perto de território recorde, sustentado por uma combinação de alívio nos juros, recuo do petróleo e resultados empresariais que mantêm vivos vários motores do mercado.

