A SpaceX prepara-se para tornar público o prospeto da sua oferta pública inicial e escolheu o Goldman Sachs para liderar uma operação que é apontada como potencialmente recordista, de acordo com pessoas familiarizadas com o processo.
Segundo essas fontes, que pediram anonimato devido à confidencialidade, o Goldman Sachs ficará com a posição de lead left no prospeto, seguido do Morgan Stanley. Logo depois surgem o Bank of America, o Citigroup e o JPMorgan Chase na estrutura de colocação.
A empresa de foguetões reutilizáveis de Elon Musk poderá divulgar o prospeto já na quarta-feira, após ter apresentado em confidência a documentação à Securities and Exchange Commission no mês passado. Espera-se que a operação capte um montante sem precedentes, numa altura em que a SpaceX foi recentemente avaliada em 1,25 biliões de dólares por Musk, quando este fundiu a empresa com a xAI, a sua startup de inteligência artificial, em fevereiro.
A SpaceX não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
Até hoje, apenas duas empresas tecnológicas, a Facebook e a Alibaba, atingiram avaliações de pelo menos 100 mil milhões de dólares após o primeiro dia de negociação em bolsas norte-americanas. Mais recentemente, a fabricante de chips de IA Cerebras estreou-se no Nasdaq, encerrando a sessão com uma capitalização bolsista de cerca de 95 mil milhões de dólares, o que ajuda a preparar um ano marcado por grandes IPOs associados ao tema da inteligência artificial.
A SpaceX procura chegar ao mercado bolsista antes de líderes de modelos de IA como a OpenAI e a Anthropic, ambas avaliadas por investidores privados em valores próximos de 1 bilião de dólares. Estas empresas estudam a possibilidade de se tornarem cotadas já este ano.
Para Elon Musk, o prospeto muito aguardado surge poucos dias após uma derrota significativa em tribunal frente à OpenAI e a Sam Altman, o seu CEO. Musk processou Altman em 2024, alegando que este violou a promessa de manter a OpenAI, que Musk ajudou a fundar nove anos antes, como uma entidade sem fins lucrativos.
Um júri consultivo em Oakland, na Califórnia, considerou na segunda-feira que Musk esperou demasiado tempo para processar a OpenAI e Altman com base nessas acusações. A decisão foi imediatamente adotada pela juíza do Tribunal Distrital Yvonne Gonzalez Rogers. Musk classificou o veredicto como uma "tecnicalidade de calendário" e prometeu recorrer.
A última vez que Musk levou uma empresa a bolsa foi em 2010, quando a Tesla entrou no Nasdaq. Nessa operação, o Goldman Sachs também liderou a oferta, com o Morgan Stanley, o JPMorgan e o Deutsche Bank a surgirem nas posições seguintes do prospeto.

