As ações da Spotify subiram 15% depois de a empresa ter apresentado as suas orientações para 2030 e anunciado um acordo de inteligência artificial com a Universal Music. O movimento surge num momento em que a tecnologia está a gerar fortes receios de disrupção no setor da música.
A empresa espera que a receita cresça a uma taxa anual composta, em termos médios, na faixa dos teens altos, e prevê margens brutas entre 35% e 40%. A Spotify voltou também a referir como objetivo de longo prazo atingir 1 mil milhão de subscritores e 100 mil milhões de dólares em receitas, que descreveu como a sua referência principal.
O que muda com o acordo de IA
Na sequência do acordo com a Universal, a Spotify vai permitir que os utilizadores criem capas e remisturas com as vozes de artistas e compositores que optem por participar. A ferramenta será lançada como um suplemento pago para utilizadores premium e deverá gerar uma nova fonte de receita para os artistas.
Segundo o co-CEO Gustav Söderström, a empresa acredita que já não existe um leitor de media para conteúdos públicos e privados ao mesmo tempo, ou, por outras palavras, para a era generativa. A sua leitura é que a Spotify poderá ocupar esse espaço.
Uma fase de transformação para a empresa
A Spotify está no meio de uma reorganização interna e os riscos são elevados. Nos últimos 12 meses, as ações tinham perdido um quarto do seu valor. Este foi o primeiro dia de investidores da empresa em quatro anos e realizou-se já sob a liderança dos novos co-CEOs, Söderström e Alex Norström. Daniel Ek, fundador e antigo CEO, deixou o cargo no início deste ano, depois de cerca de duas décadas à frente da empresa.
Ao mesmo tempo, a Spotify tenta provar que pode ser mais do que uma plataforma de streaming musical, apostando em áreas como audiolivros e podcasts. A empresa anunciou ainda subscrições para determinados criadores e atualizações à funcionalidade de audiolivros. Acrescentou também um programa que permite a certos fãs mais dedicados comprar dois bilhetes para concertos antes da venda ao público.
Pressão no setor musical
O setor da música atravessa uma mudança profunda. As editoras discográficas estão a tentar proteger os artistas de infrações de direitos de autor, numa altura em que ganham popularidade plataformas que geram música a partir de instruções escritas, o que está a esbater a diferença entre música criada por IA e música feita por humanos.
Já surgiram processos judiciais no setor. Em 2024, a Warner Music, a UMG e a Sony processaram as startups de música com IA Suno e Udio, alegando que as empresas utilizaram músicas protegidas por direitos de autor para treinar os seus modelos. A Suno, que angariou 250 milhões de dólares em novembro, chegou a acordo com a Warner Music no ano passado e assinou um entendimento que passou a permitir aos utilizadores criar música gerada por IA com artistas participantes. A Universal e a Warner também chegaram a acordo com a Udio.
Desde 2022, a Spotify afirma ter acrescentado mais de 340 milhões de novos utilizadores à plataforma e aumentado a sua base de subscritores em mais de 110 milhões.

